A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 589 mm de chuva acumulados até o momento, mais de três vezes o volume esperado para o mês.
A forte tempestade que começou no fim da tarde de segunda-feira, 23, já deixou 16 mortos, 45 desaparecidos e mais de 400 desabrigados. Dado o volume de água, o rio Paraibuna transbordou e boa parte da cidade está alagada.
Segundo medições feitas pela estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) que fica no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), somente de segunda, 23, para terça, 24, foram 220 mm — ou seja, mais do que a média para o mês inteiro, que é de 180 mm.
“Ou seja, choveu 419 mm a mais do que chove normalmente no mês inteiro”, explicou a coordenadora do Laboratório de Climatologia da UFJF, Cássia de Castro Martins Ferreira. “E somente ontem já choveu mais do que a média do mês.”
‘Estamos nos preparando para o pior’
A cidade, que sofre com chuva intermitente desde o último dia 18, continua em estado de alerta vermelho para chuvas e tempestades até sexta-feira, 27. O solo já se encontra saturado de água, o que aumenta o risco de novos deslizamentos e alagamentos.
“Estamos nos preparando para o pior”, afirmou a prefeita Margarida Salomão (PT), em entrevista à GloboNews, explicando que está interditando casas em áreas de risco e deslocando a população das regiões mais afetadas para áreas seguras. “Para quem está em local seguro, a recomendação é: não saia de casa, salvo em caso de absoluta necessidade.”
A prefeitura orienta a população a permanecer em locais seguros e evitar deslocamentos desnecessários. Em caso de deslocamento, a recomendação é para acompanhar os alertas da Defesa Civil e evitar áreas mais vulneráveis.
Solo muito saturado
“A previsão é de que tenhamos mais chuva até o fim de fevereiro”, confirmou Cássia Ferreira, explicando que as tempestades estão relacionadas à entrada de frentes frias e há uma nova frente fria chegando na quinta-feira.
“Mesmo que não chova tanto quanto ontem [segunda, 23], o solo já está muito saturado, os rios estão cheios, qualquer chuva a mais será um grande problema.”
“Nosso relevo é de muitos morros, muitas vertentes suscetíveis a deslizamentos, e esses morros são cortados por planícies fluviais de alguns rios de tamanho considerável, como o Paraíbuna”, afirma o professor Miguel Fernandes, do Departamento de Geociências. “Com esse volume de chuva, os rios transbordaram e a cidade perdeu a capacidade de drenagem.”
Estadão Contéudo