Madrasta é condenada a 49 anos por envenenar enteada e tentar matar enteado no Rio

Madrasta é condenada a 49 anos por envenenar enteada e tentar matar enteado no Rio
Madrasta é condenada a 49 anos por envenenar enteada e – Reprodução

Ela foi considerada culpada pelo homicídio qualificado de Fernanda Carvalho Cabral, 22, que morreu após ingerir veneno misturado à comida, e pela tentativa de homicídio contra o irmão da jovem, Bruno Carvalho Cabral, que sobreviveu após receber atendimento médico.

A defesa informou que pretende recorrer da decisão. O advogado Carlos Augusto Santos afirmou que o júri condenou a ré com base em “prova contrária aos autos”.

O julgamento começou na tarde de quarta-feira (4) e se estendeu pela madrugada. Depois de cerca de 16 horas de sessão, os jurados levaram menos de 30 minutos para chegar ao veredito.

A sentença foi proferida pela juíza Tula Corrêa de Mello, que presidiu o júri. Ela fixou pena de 30 anos pelo assassinato de Fernanda e de 19 anos, 6 meses e 20 dias pela tentativa de homicídio contra Bruno. Os jurados reconheceram as qualificadoras de uso de veneno e motivo fútil.

Segundo a magistrada, o crime foi planejado e teve consequências graves para a família das vítimas. Durante a leitura da sentença, ela afirmou que a ré agiu de forma premeditada ao envenenar a enteada.

De acordo com o Ministério Público, a motivação estaria relacionada ao ciúme que Cíntia teria da relação do companheiro, Adeilson Jarbas Cabral, com os filhos.

A defesa afirmou durante o julgamento que as provas periciais seriam insuficientes para comprovar que a ré administrou o veneno. Os advogados questionaram resultados de exames e a necessidade da exumação do corpo de Fernanda, realizada dois meses após o enterro.

A acusação, porém, apresentou laudos que apontaram a presença de substâncias de raticida clandestino, conhecido como “chumbinho”, em exames relacionados aos dois episódios de intoxicação.

Cíntia está presa desde julho de 2022 e não poderá recorrer em liberdade.

O primeiro a depor foi Bruno, que tinha 16 anos na época do crime e sobreviveu ao envenenamento. Em seu relato, ele afirmou que percebeu algo estranho no almoço servido pela madrasta.

Segundo o jovem, apenas ele recebeu o prato já servido com feijão. Ao começar a comer, notou gosto diferente e pequenos pontos azuis misturados à comida.

Após o almoço, ele foi para a casa da mãe e passou mal pouco tempo depois, com sintomas como dificuldade para falar, suores intensos e problemas de visão. O adolescente foi levado ao hospital, onde passou por lavagem estomacal.

Em depoimento, ele afirmou que, ao acordar no hospital, suspeitou que o episódio pudesse estar relacionado à morte da irmã.

O pai das vítimas relatou que havia conflitos frequentes entre Cíntia e os filhos durante o relacionamento, que durou cerca de cinco anos. Segundo ele, após o envenenamento do filho, passou a desconfiar que os dois episódios poderiam ter a mesma origem.

Também prestaram depoimento no julgamento os filhos biológicos da ré, Lucas e Carla Mariano Rodrigues. Ambos afirmaram que a mãe confessou ter envenenado os enteados.

Lucas relatou que a conversa ocorreu após o episódio envolvendo Bruno, quando questionou diretamente a mãe. Carla disse que pediu para ouvir a confirmação da própria Cíntia, que teria admitido o crime.

A mãe das vítimas, Jane Cabral, contou ao júri que passou a suspeitar da madrasta após a morte da filha. Ela relatou ainda que, durante a internação de Fernanda, Cíntia insistia em oferecer comida para ela no hospital.

Relembre o caso

O primeiro episódio ocorreu em 15 de março de 2022, quando Fernanda passou mal após jantar na casa do pai. A jovem apresentou sintomas de intoxicação e ficou internada por quase duas semanas, mas morreu no dia 27 daquele mês.

Na ocasião, a morte chegou a ser tratada como natural.

A suspeita de envenenamento ganhou força dois meses depois, quando Bruno também passou mal após almoçar na casa onde o pai vivia com a madrasta. Diferentemente da irmã, ele recebeu atendimento rápido e sobreviveu.

Exames posteriores apontaram a presença de raticida no organismo do adolescente e reforçaram a hipótese de que os dois episódios estariam ligados.

O caso levou à prisão de Cíntia Mariano em julho de 2022.

O julgamento havia sido iniciado em outubro do ano passado, mas precisou ser interrompido após advogados de defesa deixarem o plenário alegando falta de acesso a documentos da investigação. Então, o Tribunal de Justiça do Rio remarcou o júri.

LEIA TAMBÉM:

Lavrador que virou desembargador em Goiás será sepultado no cemitério Vale do Cerrado

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress