Em um ato simbólico na Avenida Paulista, em São Paulo, Helena Taliberti, mãe de vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, marcou os sete anos da tragédia que vitimou 272 pessoas. A ativista, que perdeu dois filhos, a nora grávida e o ex-marido no desastre de 25 de janeiro de 2019, promoveu uma oficina de argila com crianças para relembrar o evento e enfatizar a importância da preservação ambiental.
O Instituto Camila e Luiz Taliberti, criado em homenagem aos filhos da ativista, organizou a atividade onde as crianças moldaram vasinhos para sementes, simbolizando o futuro e a regeneração. ‘As crianças são o nosso futuro’, disse Helena, emocionada, em entrevista à Agência Brasil. Ela lamentou não ter netos, mas se comprometeu a zelar pelo meio ambiente para as próximas gerações, destacando que a preservação deve ocorrer em todos os biomas, incluindo a Mata Atlântica, da qual São Paulo retém apenas 12% de sua cobertura original.
Às 12h28, horário do rompimento da barragem da mineradora Vale, uma sirene foi acionada na avenida para recordar a falha no alerta que poderia ter evitado mortes. Helena criticou a empresa por não realizar manutenções adequadas, apesar de saber dos problemas na estrutura. ‘Aquela tragédia poderia ter sido evitada se a sirene tivesse tocado’, afirmou.
A ativista também vinculou o desastre de Brumadinho ao rompimento em Mariana, ocorrido anos antes, chamando-o de ‘sirene’ não ouvida. Sete anos após o evento, a justiça permanece lenta: um processo na Justiça mineira julgará 15 pessoas, mas não há responsabilização criminal efetiva. Helena cobrou reparações adequadas para os atingidos, que perderam casas, lavouras e animais, e alertou que a impunidade abre portas para novas catástrofes. ‘A justiça não foi feita’, concluiu, reforçando a necessidade de punição para prevenir repetições.
Com informações da Agência Brasil