Mais de 1.248 mulheres assassinadas por homens no Brasil em 2024

Projeto agiliza pensão por morte para dependentes de vítimas de feminicídio
Projeto agiliza pensão por morte para dependentes de vítimas de – Reprodução

No ano passado, mais de 1.248 homens mataram mulheres no Brasil, segundo dados debatidos em audiência na Comissão do Congresso Nacional destinada ao combate da violência contra a mulher. Das 1.568 mulheres assassinadas, 62,6% eram negras e 66,3% dos crimes ocorreram dentro de casa. A reunião, conduzida pela deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), ocorreu nesta quarta-feira (11) e reuniu especialistas e parlamentares para discutir o tema.

As participantes enfatizaram que os números reais devem ser ainda maiores devido à subnotificação e a crimes não solucionados. Luizianne Lins destacou que as estatísticas envergonham o país e citou a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado, como subsídio para políticas públicas. Ela alertou que quatro mulheres são assassinadas diariamente por serem mulheres, fazendo um ‘chamado de emergência’.

A secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues Naves, abordou a violência política de gênero e reforçou que não há democracia sem igualdade de gênero, essencial para o direito à vida das mulheres.

Rúbia Abs da Cruz, do Consórcio Lei Maria da Penha, alertou para a presença da violência em todos os ambientes sociais, com aumento de tipos como psicológica, física, sexual, patrimonial e digital. Ela defendeu prevenção por meio de educação nas escolas para mudar a cultura machista desde a infância e mencionou uma proposta de lei contra a violência digital em elaboração com o Ministério das Mulheres.

Maria Teresa Prado, do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, apresentou dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher de 2025, destacando que no Distrito Federal nenhuma mulher com medida protetiva foi morta no ano passado, evidenciando a importância da rede de atendimento.

Juliana Brandão, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou a assimetria de gênero ligada ao racismo estrutural, com 62,6% das vítimas fatais sendo mulheres negras jovens em idade reprodutiva.

Ellen dos Santos Costa, coordenadora-geral do Ligue 180, afirmou que o feminicídio é evitável e promoveu o uso do serviço nacional de denúncias, que opera por telefone e internet. Ela explicou que o Ligue 180 rompe o ciclo da violência e que 30% das chamadas vêm de terceiros ou são anônimas, indicando engajamento social. Para um atendimento eficaz, defendeu integração estatal e mapeamento da rede de apoio.

Sandrali Campos Bueno, vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, criticou o machismo estrutural que afeta mulheres de diversas origens, incluindo negras, indígenas e LGBTs. Ela enfatizou a interseção de gênero e raça nas violências e chamou por estratégias de educação, responsabilização de homens e participação social na construção de políticas públicas.

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress