Março encerra o verão com calor persistente e chuva irregular no Brasil

Março encerra o verão com calor persistente e chuva irregular no Brasil
Março encerra o verão com calor persistente e chuva irregular – Reprodução

Março de 2026 marca oficialmente a reta final do verão no hemisfério Sul, estação que se despede às 11h45 do dia 20, quando tem início o outono, que segue até 21 de junho. Mesmo com a mudança no calendário astronômico, o mês ainda será caracterizado por calor intenso e sensação de abafamento em grande parte do Brasil, reflexo da grande quantidade de energia térmica acumulada na atmosfera e nos oceanos ao longo do verão.

Do ponto de vista climatológico, março costuma representar uma transição gradual no regime de chuvas. As pancadas seguem frequentes na maior parte do território nacional, porém com menor regularidade e volume em comparação a dezembro, janeiro e fevereiro. Regiões como Centro-Oeste, Sudeste e o sul da Região Norte tendem a registrar redução nos acumulados em relação ao pico do verão. Em contrapartida, áreas do Norte e do Nordeste, como Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, além de partes do Pará, Amapá, Amazonas e Roraima, entram em um dos períodos mais chuvosos do ano.

No cenário oceânico-atmosférico, março também sinaliza o encerramento técnico do episódio de La Niña, que atuou de forma fraca desde a primavera de 2025. Ao longo do mês, o Pacífico Equatorial passa a operar em neutralidade térmica, sem a influência direta de La Niña ou El Niño. Ainda assim, meteorologistas observam a presença de um El Niño costeiro no litoral do Peru e do Equador, fenômeno que pode favorecer períodos de aquecimento mais intenso no centro-sul do Brasil, com reflexos pontuais sobre São Paulo. A expectativa é de que um novo El Niño clássico volte a se configurar apenas no fim do inverno de 2026.

Chuva segue irregular, mas com episódios intensos

O início de março é marcado pela atuação de um episódio de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), o quinto registrado em 2026, organizado desde o fim de fevereiro. O sistema influencia áreas do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e parte do Nordeste, elevando o risco de chuvas persistentes e temporais. Na última semana do mês, há indicativos de formação de novos corredores de umidade, com possibilidade de outro evento de ZCAS, novamente concentrado no norte do Centro-Oeste e do Sudeste.

Enquanto isso, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) segue ativa sobre o extremo norte do País, porém com intensidade menor do que a média histórica. Esse comportamento tende a reduzir os volumes de chuva em áreas como o norte do Amapá, Pará, Maranhão e Piauí. Ainda assim, a combinação entre ZCIT, ZCAS e sistemas como os Vórtices Ciclônicos em Altos Níveis (VCANs) pode provocar acumulados elevados em pontos do Nordeste, Espírito Santo, Minas Gerais, Amapá e Roraima.

A projeção indica que, ao final de março, a maior parte do Brasil deve registrar chuva próxima ou ligeiramente abaixo da média climatológica, com déficits mais acentuados no Amazonas e no Pará. Em contrapartida, algumas áreas do Nordeste e do Sudeste podem fechar o mês com volumes acima do normal.

Calor predomina e não há frio intenso

As temperaturas seguem elevadas em praticamente todo o País ao longo de março. Na primeira semana, o aquecimento acima da média se destaca no Sul, em Mato Grosso do Sul e em áreas de São Paulo, embora as madrugadas tendam a ser menos abafadas do que no auge do verão. Não há previsão de incursões significativas de massas de ar polar pelo interior do Brasil capazes de provocar quedas expressivas de temperatura.

Ainda assim, a passagem de frentes frias pelo oceano pode trazer períodos de temperaturas mais amenas em áreas litorâneas e regiões próximas, como o leste do Sul, o sul e leste paulista, Sul de Minas, Zona da Mata Mineira, além do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, sobretudo em dias com maior nebulosidade.

A tendência para o mês é de temperaturas médias próximas ou ligeiramente acima da normalidade na maior parte do território nacional. Há risco de ondas de calor no Sul do País, no oeste e sul de Mato Grosso do Sul e no oeste paulista. Em contrapartida, o excesso de nuvens e chuva deve manter os termômetros abaixo da média em partes do Nordeste e em Roraima.

Mesmo com a aproximação do outono, março reforça que o verão ainda “resiste”, impondo calor, instabilidade atmosférica e eventos extremos pontuais em diversas regiões do Brasil.

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress