O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta segunda-feira (19), os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. Desse total, aproximadamente 30% dos cursos, totalizando 99 instituições do sistema federal de ensino, obtiveram desempenho insatisfatório, com menos de 60% dos estudantes considerados proficientes.
A partir da publicação dos dados no Diário Oficial da União, esses cursos passarão por um processo de supervisão, com possível aplicação de medidas cautelares. As sanções, que serão escalonadas conforme o risco ao interesse público, podem incluir redução de vagas ou suspensão de ofertas via Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As instituições terão 30 dias para apresentar defesa antes da implementação das medidas, que vigorarão até a próxima edição do Enamed, prevista para outubro de 2026.
Os melhores desempenhos foram registrados entre estudantes de instituições federais, com média de 83,1% de proficiência entre 6.502 concluintes, seguidos pelas estaduais, com 86,6% entre 2.402 inscritos. Em contrapartida, os alunos da rede municipal apresentaram a pior média, de 49,7% entre 944 estudantes, enquanto as instituições privadas com fins lucrativos tiveram 57,2% entre 15.409 concluintes.
Criado em abril de 2025, o Enamed adapta o Exame Nacional de Avaliação dos Estudantes (Enade) especificamente para o curso de medicina, sendo obrigatório e servindo como critério para ingresso em programas de residência médica unificados pelo MEC, via Exame Nacional de Residência (Enare).
A lista dos 99 cursos supervisionados inclui diversas unidades do Centro Universitário Estácio em diferentes estados, além de outras instituições privadas como o Centro Universitário do Pantanal, em Cáceres (MT), e a Faculdade Metropolitana, em Porto Velho (RO). Instituições públicas estaduais, distritais e municipais não estão sujeitas a esse processo, pois são supervisionadas por conselhos e secretarias locais.