Médicos de Goiânia decidem adiar greve na rede municipal de Saúde

Médicos de Goiânia decidem adiar greve na rede municipal de Saúde
Médicos de Goiânia decidem adiar greve na rede municipal de – Reprodução

SAÚDE

Médicos cobram segurança contratual e estrutura de trabalho, enquanto prefeitura tenta reverter decisão judicial que barrou demissão em massa

Médicos também fizeram protesto na praça Tamadaré, em Goiânia (Foto: divulgação/Simego)

Os médicos credenciados da rede municipal de saúde de Goiânia decidiram não iniciar greve por enquanto. A decisão aconteceu após os profissionais da Maternidade Célia Câmara receberem salários que estavam atrasados. O pagamento foi feito na segunda-feira (23), poucas horas antes de uma assembleia que poderia decretar uma paralisação. Apesar de adiarem a greve, os médicos continuam insatisfeitos e realizaram uma manifestação na Câmara de Vereadores para cobrar por melhorias.

O ato reivindicou mudanças nas condições de trabalho, estabilidade nos contratos e mais fiscalização sobre decisões recentes da gestão municipal. A manifestação foi organizada pela categoria e contou com apoio doSindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego). Segundo a entidade, o objetivo é pressionar vereadores a acompanhar de perto as medidas adotadas na saúde municipal e discutir soluções para evitar prejuízos no atendimento à população.

Os profissionais afirmam que continuam preocupados com a segurança jurídica dos vínculos trabalhistas, a organização da rede, condições de trabalho e a estrutura disponível nas unidades. Para eles, fatores como falta de equipamentos ou até insumos, influenciam diretamente na qualidade da assistência oferecida aos pacientes. O sindicato diz manter diálogo aberto e defende que “eventuais mudanças ocorram com transparência e respeito à categoria”.

Liminar barrou demissões em massa

O protesto ocorre poucos dias após decisão judicial que impediu a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de rescindir antecipadamente contratos de médicos credenciados. A liminar foi concedida na sexta-feira (20) pelo Tribunal de Justiça de Goiás, atendendo a um pedido coletivo do sindicato.

Na decisão, o magistrado considerou que a norma administrativa poderia forçar profissionais a trocar de contrato para outro modelo com regras diferentes, o que poderia prejudicar tanto médicos quanto pacientes. Ele também apontou risco de interrupção de atendimentos caso as demissões acontecessem em massa.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que vai recorrer da decisão e reiterou que mantém aberto o novo edital de credenciamento para atuação em unidades básicas, serviços de urgência e emergência e Centros de Atenção Psicossocial. No novo modelo, os valores dos plantões são menores em relação ao edital atual.

Histórico de manifestações e greves

A atual tensão entre médicos e administração municipal não é recente. Em 13 de janeiro, profissionais credenciados chegaram a paralisar atividades por tempo indeterminado para denunciar problemas estruturais, atrasos e mudanças contratuais. Na época, a categoria listou reivindicações como regularidade de pagamentos, melhores condições de trabalho e revisão de editais que, segundo os médicos, reduziram honorários em até 35%.

A prefeitura, por sua vez, afirmou que os valores pagos seguem parâmetros de mercado e que o novo modelo de credenciamento busca ampliar o número de profissionais.

Além das manifestações de rua, a categoria tem buscado apoio político. Em mobilizações anteriores na própria Câmara, médicos criticaram propostas de contratação e alertaram para risco de desassistência caso profissionais deixem a rede. Vereadores chegaram a apresentar pedidos de análise em órgãos de controle para verificar a legalidade de editais.

T CSM

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