O mercado fonográfico brasileiro registrou um crescimento de 14,1% em 2025, alcançando um faturamento de R$ 3,958 bilhões, de acordo com a Pró-Música Brasil. Esse resultado posicionou o Brasil na 8ª colocação entre os maiores mercados mundiais de música gravada, segundo o ranking da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). O país subiu do 9º lugar em 2024 e do 10º em 2023, consolidando-se como um dos mercados mais dinâmicos globalmente.
O avanço foi liderado pelo segmento digital, especialmente o streaming, que representou 83% das receitas e gerou R$ 3,4 bilhões, um aumento de 13,2% em relação ao ano anterior. As plataformas de distribuição de música impulsionaram essa expansão, com o número de assinantes continuando a crescer acima da média global nos últimos cinco anos. As vendas físicas, embora inferiores a 1% do total, registraram alta de 25,6%, puxadas pela demanda por vinis, que revivem estratégias de marketing de artistas.
Trata-se do 16º ano consecutivo de crescimento do setor, recuperado desde o início da década de 2010 após a crise causada pela pirataria. Paulo Rosa, presidente da Pró-Música Brasil, destacou o papel das gravadoras como motor da indústria, com investimentos em artistas novos e consolidados. “O desempenho confirma o papel estratégico das gravadoras, sustentado por investimentos contínuos e parcerias diversificadas com os artistas”, afirmou a entidade.
Rosa enfatizou que o modelo de streaming encontrou um ambiente saudável no Brasil, permitindo mais investimentos na produção e promoção de talentos. Ele comentou o ressurgimento do vinil como impulsionado por curiosidade e nostalgia, alertando que formatos considerados obsoletos podem retornar com novas tecnologias.
Apesar dos avanços, o setor enfrenta desafios. A inteligência artificial (IA) representa uma ameaça ao usar gravações de artistas sem autorização para treinar sistemas, o que distorce a concorrência. Rosa defendeu a aprovação de projetos no Congresso Nacional para equilibrar inovação e direitos autorais. Além disso, fraudes no streaming, como streams artificiais gerados por bots, desviam receitas legítimas. A Pró-Música encaminha denúncias ao Ministério Público, resultando no encerramento de mais de 130 sites de impulsionamento artificial nos últimos anos, 60 deles em 2025.
A Pró-Música Brasil, antes conhecida como Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) e renomeada em 2016, representa as principais gravadoras e produtoras fonográficas, coletando dados e promovendo o mercado legítimo de música em formatos físicos e digitais.