Microcrédito impulsiona produção de casal ribeirinho no Norte do Brasil

Microcrédito impulsiona produção de casal ribeirinho no Norte do Brasil
Microcrédito impulsiona produção de casal ribeirinho no Norte do Brasil – Reprodução

Um casal de produtores rurais no Amapá, Edmilson Rosa dos Santos, 57 anos, e Celina Almeida, 48 anos, tem transformado sua rotina com o auxílio do Microcrédito Produtivo Orientado (MPO), iniciativa do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR).

Eles residem em Santana (AP), mas concentram suas atividades na Ilha do Pará, no município de Afuá (PA), a três horas de navegação. Lá, trabalham com farinha de mandioca, venda de perfumes, roça, açaí e criação de porcos. Anteriormente, escoavam a produção de milho, macaxeira, cana e banana por meio de um barco pequeno e desconfortável, o que dificultava o transporte e as vendas porta a porta nas comunidades ribeirinhas e em municípios como Santana e Mazagão.

A mudança começou quando Celina, associada à Colônia de Pescadores Z-6, participou de uma reunião sobre o MPO, conhecido como “Microcrédito Pertinho da Gente”. Em 2025, ela contratou R$ 12 mil como pescadora. Combinando esse valor aos R$ 18 mil economizados, o casal adquiriu um barco de madeira maior, com 13 metros de comprimento, equipado com cozinha e espaço para descanso. “Hoje temos cozinha no barco, a gente dorme nele. Ficou mais fácil arrumar dinheiro porque ele é grande e confortável para acomodar tudo o que plantamos”, explica Edmilson.

O casal quitou o empréstimo antecipadamente, garantindo um desconto de 40% por adimplência. Isso permitiu uma nova contratação em janeiro de 2026, durante um mutirão de microcrédito com o ministro Waldez Góes. Celina obteve R$ 15 mil para capital de giro na revenda de farinha de mandioca em larga escala, enquanto Edmilson contratou R$ 12 mil para expandir o açaizal e a suinocultura. “Em vez de comprar ração, eu quero fazer a ração no meu terreno com a macaxeira, a cana e o milho que eu mesmo planto e armazeno”, projeta o agricultor.

O programa, implementado no Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) a partir de dezembro de 2024, visa fortalecer a geração de renda de pequenos produtores por meio de financiamentos para capital de giro, equipamentos ou expansão de negócios. “Não basta ter a política pública, é preciso que ela chegue às pessoas que mais precisam”, afirma o ministro Waldez Góes.

Em pouco mais de um ano, as contratações de microcrédito no Norte saltaram para 3.349, totalizando R$ 41,4 milhões direcionados à economia da agricultura familiar. Em janeiro, o programa movimentou R$ 69 milhões em mais de 5 mil novos contratos. No Amapá, mutirões têm fortalecido a pesca artesanal e a economia local, impulsionando também a autonomia financeira de mulheres no campo.

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress