O Ministério Público de Santa Catarina afirmou nesta segunda-feira (8) que considera solicitar a exumação do corpo do cão comunitário Orelha.
O órgão disse que a 10ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, responsável pelo caso, está analisando o boletim de ocorrência circunstanciado para identificar quais as diligências complementares necessárias.
“Por hora, o pedido de exumação é uma possibilidade”, afirmou o MP em nota.
Procurada, a Polícia Civil de Santa Catarina disse que irá cumprir a todos os pedidos de diligências adicionais assim que recebê-los do Ministério Público para que a denúncia possa prosseguir para a Justiça junto com as demais provas já obtidas nas investigações. A polícia não confirmou onde está o corpo de Orelha no momento.
Um laudo da Polícia Científica, feito com base no parecer veterinário, disse que Orelha sofreu um golpe contundente na cabeça, possivelmente causado por um chute ou por um objeto como um pedaço de madeira ou uma garrafa.
“O profissional informou que não se tratava de uma lesão imediata, que esse animal havia sido agredido há cerca de dois dias com um golpe na região da cabeça, e essa lesão evoluiu e ele veio a óbito durante o atendimento”, disse a delegada em vídeo. A reportagem não conseguiu contato com o veterinário responsável pelo atendimento ao animal.
O resultado do laudo foi anunciado em entrevista coletiva em 27 de janeiro, quando a polícia divulgou mais detalhes da operação. Segundo a corporação, Orelha foi atacado por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro na Praia Brava, no norte da ilha de Florianópolis.
O cão foi encontrado ferido por moradores e levado para atendimento veterinário, mas acabou morrendo durante os cuidados.
Nas redes sociais circulavam hipóteses como empalamento e ferimentos feitos com pregos na cabeça do animal, que não foram comprovados pelo laudo veterinário.
Quatro adolescentes foram considerados suspeitos em um primeiro momento, e a polícia pediu a internação de um deles na conclusão do inquérito, na terça-feira (3). Os outros três ficaram de fora do indiciamento.
A defesa do menor indiciado afirma que não há provas que liguem o jovem à agressão, como imagens ou outros registros do do momento da agressão.
O adolescente foi considerado suspeito devido a supostas contradições durante o depoimento, a principal sendo que ele teria dito à polícia que não foi à praia no horário que Orelha teria sido agredido, embora haja registros e do jovem caminhando em direção à praia com uma amiga na madrugada de 4 de janeiro.
A polícia aponta ações suspeitas por parte dos pais, como uma suposta tentativa de esconder um boné rosa quando o jovem havia acabado de desembarcar no Brasil.
Segundo a polícia, a mãe tentou esconder o boné, da mesma cor do usado pelo jovem no momento do vídeo. Já a defesa afirma que a mãe levou o acessório para proteger a identidade do filho no aeroporto e que pediu que ele o retirasse ao chegar à unidade da Polícia Federal, em sinal de respeito.
Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, a mãe do adolescente disse que não tentou esconder a peça. “Não tinha o que esconder e também não sabíamos que tipo de prova eles estavam procurando”, disse ela.