Modelos de ia chineses ganham espaço no vale do silício e desafiam gigantes

Valdir Antonelli

Startups americanas no Vale do Silício estão cada vez mais utilizando modelos de inteligência artificial chineses, gratuitos e de código aberto, como base para o desenvolvimento de seus produtos. Essa tendência desafia as soluções mais caras oferecidas por empresas como OpenAI e Anthropic, impulsionando a competição no mercado de IA.

Esses sistemas chineses têm demonstrado um avanço significativo, oferecendo rapidez, personalização e, principalmente, custos reduzidos. Apesar das preocupações existentes em relação à segurança e à propriedade intelectual, a crescente popularidade da IA aberta chinesa sinaliza uma mudança nas estratégias e práticas de desenvolvimento dentro das startups americanas.

Segundo o físico teórico e engenheiro de aprendizado de máquina, Misha Laskin, muitos modelos de IA chineses estão equiparáveis aos sistemas mais avançados dos Estados Unidos. Laskin, inclusive, fundou a startup Reflection AI, avaliada em US$ 8 bilhões, como uma alternativa aos modelos chineses.

Modelos como o DeepSeek R1 e o Alibaba Qwen, ambos gratuitos e de código aberto, permitem que as empresas personalizem, copiem e operem os sistemas em seus próprios servidores, oferecendo maior controle e flexibilidade.

Michael Fine, chefe de aprendizado de máquina da Exa, ressalta os benefícios de utilizar esses modelos em infraestrutura própria, em vez de depender de sistemas como o GPT-5 ou o Gemini. Segundo ele, é possível obter funcionalidades de forma mais rápida e econômica, explorando as ferramentas disponíveis para otimizar o processo.

A adoção desses modelos não se restringe apenas à economia de custos. Eles também oferecem flexibilidade, privacidade e um amplo suporte da comunidade de desenvolvedores. Usuários e desenvolvedores estão migrando para soluções abertas, aproveitando o maior controle sobre o processamento e os dados do usuário, os custos de operação reduzidos e a facilidade de customização para funções específicas. O acesso a recursos, guias de treinamento e a integração rápida com diferentes ferramentas e aplicativos também são fatores importantes.

Jerry Liu, da Dayflow, destaca que modelos como o Qwen oferecem um desempenho comparável ao GPT-5 em algumas funções, e a execução local garante maior privacidade.

Apesar do avanço da IA chinesa, os modelos fechados de empresas americanas ainda lideram em termos de produtividade e ferramentas de ponta. Tim Tully, sócio da Menlo Ventures, ressalta que a usabilidade e o ecossistema dos modelos fechados ainda são superiores, principalmente para empresas que buscam conveniência e segurança.

O governo dos Estados Unidos, diante da crescente adoção de modelos chineses, tem implementado iniciativas para estimular a IA aberta nacional, visando recuperar a competitividade e garantir a liderança do país no desenvolvimento de modelos de IA de código aberto confiáveis.

Fonte: olhardigital.com.br

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