Falta de iluminação pública, descarte irregular de lixo, infestação de pombos, baratas e ratos, além de caminhões estacionados de forma irregular e bloqueando passagens, estão entre os problemas enfrentados diariamente por moradores da quadra 24 do Setor Leste do Gama. A rua é estreita, fica atrás de uma avenida comercial e registra fluxo intenso de veículos para a descarga de mercadorias, fator que contribui para o acúmulo de resíduos no local.
Residentes da região relataram ao Jornal de Brasília que o fluxo começa a partir das 7h da manhã, com uma pequena pausa no almoço, e segue até às 18h. O barulho emitido, principalmente pelos caminhões refrigerados, é outro problema. Eles reclamam ainda que prestadores de serviços urinam no local e até mesmo na porta de algumas residências, o que gera um cheiro desagradável ao redor das casas.
Revoltada com a situação, a comunidade abriu um processo junto à Administração Regional do Gama, mas nada foi resolvido até o momento. Já a reclamação feita ao Detran-DF, em agosto de 2025, foi encaminhada à engenharia do órgão, mas segue parada, segundo informações de agentes.
Durante a noite, quando o fluxo de veículos diminui, outros problemas se intensificam. Ratazanas são vistas revirando o lixo descartado ao longo do dia, enquanto a falta de iluminação pública favorece a sensação de insegurança. De acordo com relatos de moradores, a área passou a ser frequentada por pessoas em situação de rua para o uso de drogas.
População cobra sinalização e limpeza
O mecânico Ronaldo Peres, de 51 anos, vive na quadra há alguns anos e relata que os problemas na rua se intensificaram com a chegada de um mercado no comércio local. Ele explica que já teve um embate com um motorista estacionado em frente à sua residência.
“Meu filho recém-nascido estava com bronquiolite e eu precisava levá-lo ao hospital, mas o caminhão não me dava passagem. Meu filho é o meu bem mais precioso e, na hora, agi sem pensar. Parti para cima do caminhoneiro. Ele chegou a me processar, mas não deu em nada”, desabafa o mecânico.
Entre os principais problemas apontados por Ronaldo está o fluxo intenso de caminhões, sem qualquer sinalização viária. Ele afirma que veículos de grande porte circulam pela via de forma irregular, derrubam meios-fios e utilizam até a ciclovia para acessar os fundos dos comércios. O final da rua é fechado, mas, segundo ele, os caminhões passam por cima dos meios-fios e usam a ciclovia para entrar nos estabelecimentos.
Outro morador da rua, Tiago Souza, engenheiro de dados, trabalha em home office e comentou ao Jornal de Brasília o quanto o fluxo de caminhões interfere no trabalho, principalmente durante reuniões. Ele também tem um bebê em casa e afirma que a rotina da criança é afetada pelo barulho. Apesar dos transtornos, o que mais o incomoda é a questão do lixo. Tiago informou ainda que já presenciou caminhoneiros urinando na porta de sua residência.
“Já fiz a dedetização da minha casa, mas continuo tendo problemas com infestação de baratas. Uma vez fiquei acordado até tarde para tentar identificar a origem e constatei que o problema vem da própria rua, por causa do acúmulo de lixo”, comentou.
Um casal, que prefere não se identificar, afirma enfrentar os mesmos problemas na região. A mulher relatou que, devido ao fluxo constante de homens desconhecidos no local, perdeu a privacidade e hoje vive com portas e janelas fechadas. Ela também afirmou que já houve colisões de veículos com o telhado da residência e com o poste localizado na esquina.
O companheiro conta que escolheu a quadra por se tratar de uma área tranquila, mas decidiu colocar o imóvel à venda em razão dos transtornos enfrentados. Apesar da situação, os moradores afirmam compreender a necessidade do fluxo de veículos na área, mas cobram a instalação de sinalização adequada nas vias e medidas efetivas para garantir a limpeza e a organização do espaço.
Autoridades se posicionam
Em nota ao Jornal de Brasília, o Detran-DF informou que realiza rotineiramente ações de policiamento e fiscalização em todo o Distrito Federal, incluindo o Setor Leste do Gama. O órgão afirmou ainda que vai intensificar as ações de fiscalização no local indicado. No entanto, a ausência de placas de sinalização na via dificulta a atuação dos agentes do órgão e da Polícia Militar na aplicação de multas a veículos estacionados de forma irregular.
Procurado, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informou que a fiscalização e a aplicação de sanções relacionadas ao descarte irregular de lixo são de responsabilidade do DF Legal. Em nota, o órgão afirmou estar ciente do problema, mas ainda não identificou os responsáveis. O DF Legal orienta que as denúncias sejam feitas com provas junto à Ouvidoria, pelo telefone 162 ou pelo site ParticipaDF (www.participa.df.gov.br).
Quanto à iluminação pública, a Companhia Energética de Brasília (CEB IPes) informou não haver registros de chamados para manutenção na quadra. Conforme a empresa, nos últimos 20 dias foram realizados quatro atendimentos no local, com substituição de luminárias e reparos na rede elétrica. A companhia reforçou a importância do registro de ocorrências pelos canais oficiais: telefone 155, aplicativo IluminaDF, WhatsApp (61) 3774-1155 ou site oficial (www.ceb.com.br).
“O chamado do cidadão é a principal forma de identificar rapidamente os pontos com falhas e programar os reparos. O local será incluído na programação das equipes de manutenção para checagem e reparos necessários o mais breve possível”, destacou a companhia.
Também questionada, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) afirmou atuar com ações de orientação para o controle de insetos e roedores, além de esclarecer que a responsabilidade pela dedetização e manutenção dos ambientes é de moradores e estabelecimentos. A reportagem também procurou a Administração Regional do Gama, mas não houve retorno até o fechamento.