08/01/2026

Moraes nega ida de Bolsonaro ao hospital; defesa insiste em pedido para realização imediata de exames

Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, em Brasília — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Ministro pediu lista de exames para avaliar possibilidade de realização no sistema penitenciário: advogados pediram autorização para que Bolsonaro fosse ao hospital

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para que ele fosse removido ao hospital para exames.

Após a decisão de Moraes, a defesa apresentou a lista de exames e reiterou o pedido para que os exames sejam feitas imediatamente em um hospital particular.

Bolsonaro passou mal, caiu na sala onde cumpre pena na madrugada desta terça-feira (6). A informação foi compartilhada via redes sociais pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e, minutos depois, confirmada pelo médico do político.

Moraes pediu que os advogados detalhem quais os exames necessários, para ser avaliada a possibilidade de que os procedimentos sejam feitos no próprio sistema penitenciário.

Os advogados do ex-presidente pediram autorização ao ministro para que o ex-presidente fosse ao hospital para fazer exames clínicos e de imagem.

Após a queda, a Polícia Federal afirmou em nota que Bolsonaro “recebeu atendimento médico após relatar à equipe de plantão que havia sofrido uma queda durante a madrugada. O médico da Polícia Federal constatou ferimentos leves e não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação”.

“Dessa maneira, não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital, conforme claramente consta na nota da Polícia Federal. A Defesa, entretanto, aconselhada pelo médico particular do custodiado, tem direito a realização de exames, desde que previamente agendados e com indicação específica e comprovada necessidade”, escreveu Moraes.

Segundo os advogados, o pedido emitido pelo médico Brasil Ramos Caiado descreve Bolsonaro com “quadro clínico compatível com traumatismo craniano, síncope noturna associada a queda, crise convulsiva a esclarecer, oscilação transitória de memória e lesão cortante em região temporal direita”.

A relação de exames que o médico recomenda serem realizados com urgência é:

•             Tomografia Computadorizada de Crânio;

•             Ressonância Magnética de Crânio; e

•             Eletroencefalograma.

“Consoante consignado no referido documento, tais exames mostram-se essenciais para adequada avaliação neurológica do Peticionário, sendo indicada a sua realização em ambiente hospitalar especializado — no Hospital DF Star, onde o Paciente vem sendo acompanhado clinicamente —, com o objetivo de afastar risco concreto de agravamento do quadro e prevenir eventuais complicações neurológicas”, diz a defesa.

Segundo o cirurgião Claudio Birolini, Bolsonaro se sentiu mal, caiu da cama onde dorme na sala de Estado-maior e teve um traumatismo cranioencefálico (TCE) leve.

O acidente ocorreu seis dias após o ex-presidente receber alta após passar por procedimentos médicos para tratar uma hérnia e um quadro de soluços (entenda mais a seguir).

Laudo da PF

Segundo o relatório médico enviado pela PF a Moraes, Bolsonaro relatou que caiu da cama enquanto dormia; disse ter tido tontura ontem durante o dia e soluços à noite.

Ao examinar o ex-presidente, os médicos observaram que ele estava consciente, orientado, sem sinais de déficit neurológico, com motricidade e sensibilidade de membros preservadas. Mas com uma lesão superficial na face.

Os médicos da PF comunicaram a equipe médica de Bolsonaro sobre o quadro e elencam algumas hipóteses de diagnósticos que podem ter causado a queda do ex-presidente. São elas:

•             Interação medicamentosa

•             Crise epiléptica

•             Adaptação ao uso de CPAP (hipoxemia)

•             Processo inflamatório pós-operatório

Queda durante a madrugada

De acordo com o relato de Michelle, o político de 70 anos se sentiu mal durante o sono, caiu e bateu a cabeça em um móvel na cela em que cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

“Meu amor não está bem. Durante a madrugada, enquanto dormia, teve uma crise caiu e bateu a cabeça no móvel”, disse Michelle, em uma rede social ainda pela manhã.

Segundo a TV Globo apurou, o ex-presidente não chegou a pedir ajuda aos agentes da PF após a queda. A lesão foi identificada apenas no dia seguinte. Após avaliação, o médico responsável recomendou que ele permaneça sob observação.

No início desta tarde, a Polícia Federal (PF) divulgou uma nota na qual confirmou o atendimento médico após queda na madrugada.

Segundo a PF, o médico da corporação constatou que houve ferimentos leves e não identificou necessidade de ida ao hospital, sendo indicada apenas observação.

Em seguida, a informação foi atualizada. De acordo com a PF, um eventual encaminhamento ao hospital depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pedido da defesa

Por volta das 14h, a defesa do ex-presidente acionou Moraes para pedir a remoção para realização de exames no hospital.

“Diante da urgência e gravidade do quadro, requer seja desde logo autorizada a imediata remoção do Paciente o Hospital, para realização dos exames clínicos e de imagem necessários, com acompanhamento de sua equipe médica e sob escolta policial, a fim de preservar sua integridade física e evitar agravamento irreversível”, diz um trecho do pedido.

Até a última atualização desta reportagem, contudo, Moraes ainda não tinha respondido.

A ex-primeira-dama Michelle afirmou via rede social que estava a caminho do hospital DF Star, em Brasília, para a realização de exames. Em seguida, mencionou que aguardava a autorização de Moraes.

Nove dias internado

Bolsonaro retornou à Superintendência da PF na última quinta-feira (1º), após passar nove dias internado para fazer uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. O procedimento foi realizado na quinta-feira (25), dia de Natal, e não teve intercorrências.

🔎 A hérnia inguinal (também chamada hérnia na virilha) acontece quando os tecidos do interior do abdômen saem por um ponto fraco da parede muscular abdominal formando uma espécie de abaulamento no local. Quando isso ocorre dos dois lados, ela é chamada de bilateral.

Em seguida, a equipe médica avaliou a necessidade de realizar outros procedimentos para conter o quadro de soluços. Bolsonaro realizou no sábado (27) o bloqueio do nervo frênico do lado esquerdo.

Na segunda (29), foi realizado o bloqueio do nervo frênico do lado direito. E, na última terça (30), segundo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, uma cirurgia de reforço.

Na quarta (31), o ex-presidente passou por uma endoscopia, quando os médicos constataram a persistência de esofagite e gastrite.

No mesmo dia, a defesa do ex-presidente pediu ao Supremo Tribunal Federal que o ex-presidente cumprisse a pena em prisão domiciliar. O pedido foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Tribuna Livre, com informações de redes sociais

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