Motta quer excluir referendo sobre redução da maioridade penal para facilitar aprovação de PEC da Segurança

Motta quer excluir referendo sobre redução da maioridade penal para facilitar aprovação de PEC da Segurança
Motta quer excluir referendo sobre redução da maioridade penal para – Reprodução

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou a aliados que tentará retirar a redução da maioridade penal para crimes violentos do texto da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública. Nesta quinta-feira (26), o parlamentar também avisou aos líderes da Casa que não
deseja “contaminar” a discussão com qualquer tratativa sobre carreiras das forças de segurança.

A ideia de Motta, segundo interlocutores ouvidos pela Folha de S.Paulo, é construir um texto possível de ser aprovado sem maiores dificuldades. Na reunião de líderes desta quinta, ficou acordado que a PEC da Segurança seria votada na próxima quarta-feira (4) tanto na comissão especial que discute o tema quanto no plenário. Para isso, seria necessário cortar os trechos mais polêmicos.

Após a reunião, o relator da PEC da Segurança, Mendonça Filho (União-PE), afirmou que a redução é o tema com maior entrave, com posição contrária das bancadas do PT e do PSOL. “Temos uma única grande divergência, com a bancada de esquerda, que é contra a redução da maioridade final para 16 anos”, disse o deputado.

Pela proposta de Mendonça, seria feito um referendo sobre a redução da maioridade para crimes violentos na eleição municipal de 2028. Somente em caso de adesão da população à ideia ela seria implementada.

“Eles têm uma dificuldade muito grande em encarar essa matéria. Respeito, e o debate pode se dar com alguma negociação. Eu insisto na manutenção do texto, porque eu acho que esse é um clamor social. Ninguém está reinventando a roda”, completou Mendonça.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), adiantou que “a tendência é sermos contra a maioridade penal”, mas afirmou que a base ainda se debruçará sobre o tema até a próxima segunda-feira (2). “Isso tudo nós vamos debater. Nossa prioridade é votar a PEC da Segurança na próxima semana.

Assim como suamos para aprovar o PL Antifacção, vamos conversar para construir um acordo com o relator”, disse o parlamentar.

Guimarães também destacou que o governo precisa ser ouvido, por ser o autor do projeto e considerá-lo prioritário para 2026. “A PEC será votada de todo jeito, os temas polêmicos serão discutidos. A PEC foi encaminhada a esta Casa como proposta do governo, queremos manter a espinha dorsal”, completou.

O líder do PSOL, Tarcísio Motta, disse à Folha de S.Paulo que “o debate ‘plebiscitário’ vai nos levar a confundir justiça com vingança”. “Direitos fundamentais não devem ser submetidos a plebiscito, porque são ‘contramajoritários’. Movida por um tema que desperta tantos sentimentos, a população acaba decidindo por retirar um direito fundamental da constituição”, explicou.

Caso a redução da maioridade penal para crimes hediondos seja mantida na proposta, o PSOL afirma que não participará de acordo e tentará obstruir a votação tanto na comissão especial quanto no plenário.

A maioridade penal no Brasil é definida pela Constituição, que estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e sujeitos a legislação especial como o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Quando cometem atos infracionais, adolescentes são alvos de medidas socioeducativas.

No início de fevereiro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, disse que não acha um problema uma consulta popular.

“Não se pode dizer que uma modalidade de consulta popular como exercício de democracia direta seja em si mesma um mal. A ideia de colocar para a sociedade brasileira esse debate é uma ideia legítima e bem orientada”, disse.

MUDANÇA SOBRE PISOS SALARIAIS

De acordo com líderes que participaram da reunião com Motta, o presidente também afirmou que quer evitar discussões sobre categorias de agentes da segurança pública. O presidente da Câmara afirmou que incluir na PEC qualquer mudança sobre pisos salariais poderia contaminar um projeto que reestrutura o setor com debates sobre valores.

Parte da bancada da bala pressiona pela inclusão da discussão sobre pisos salariais na PEC da Segurança Pública. O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-RN), afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo, em janeiro, que trabalharia contra o texto.

“Não concordamos. Teremos confusão de categorias, estou trabalhando contra a PEC. Não existe PEC sem valorização profissional. Sem resolver isso, como cobrar segurança? Deveria ter um piso nacional para policiais. Há estados que pagam R$ 12 mil e outros que pagam R$ 4.000. É preciso algo em torno de R$ 7.000”, afirmou.

Além da proposta de redução da maioridade penal, o texto prevê transformar a PRF (Polícia Rodoviária Federal) em uma polícia com atuação em todos os modais logísticos (rodovias, ferrovias e hidrovias federais) e permite seu apoio a estados em casos de calamidade ou requisição.

Prevê ainda a constitucionalização do Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional. Dessa forma, proíbe o bloqueio ou limitação de empenho desses recursos para garantir a continuidade de projetos estruturantes.

O texto permite ainda que municípios com mais de 100 mil habitantes transformem suas Guardas Municipais em polícias de natureza civil, focadas no policiamento comunitário e sujeitas a controle externo do Ministério Público.

Segundo o relator, o texto ainda passará por uma nova rodada de negociações com representantes de diferentes bancadas da Câmara e do governo, o que abre espaço para eventuais ajustes na proposta.

T CSM

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