MPRJ denuncia dez policiais por invasões e obstrução de câmeras na Operação Contenção

MPRJ denuncia dez policiais por invasões e obstrução de câmeras na Operação Contenção
MPRJ denuncia dez policiais por invasões e obstrução de câmeras – Reprodução

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou dez policiais militares por invasão a domicílios e obstrução de câmeras corporais durante a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025, nos complexos da Penha e do Alemão. A operação, considerada a mais letal da história do estado, deixou 122 pessoas mortas, incluindo cinco policiais, e envolveu 2,5 mil agentes em uma ação contra o Comando Vermelho.

De acordo com a denúncia, os policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC) utilizaram ferramentas como chaves mestras, facões e chaves de fenda para invadir residências e estabelecimentos comerciais sem autorização judicial ou consentimento dos moradores. As imagens analisadas pelo MPRJ mostram que os agentes circularam pelos cômodos, vasculharam objetos e consumiram produtos de geladeiras. Em alguns casos, tentaram entrar em outras residências, mas não obtiveram sucesso.

Na segunda denúncia, cinco policiais desse grupo são acusados de manipular câmeras operacionais portáteis, desrespeitando ordens superiores para uso obrigatório do equipamento. A análise das gravações revelou que os dispositivos foram posicionados de forma inadequada, direcionados para locais que impediam a visualização.

Ao todo, o MPRJ apresentou oito denúncias contra 19 policiais militares envolvidos na operação por diversas ilegalidades, incluindo apropriação de um fuzil abandonado, peças de um carro, invasões a domicílio, constrangimento de moradores, subtração de bens e obstrução ou desligamento de câmeras corporais. Os casos serão julgados pela Auditoria Militar.

A Operação Contenção resultou em 113 prisões, sendo 33 de pessoas de fora do Rio de Janeiro, além da apreensão de 118 armas e uma tonelada de drogas. A ação tem sido criticada por desrespeitar recomendações do Supremo Tribunal Federal (STF) para operações em favelas e por não enfraquecer estruturalmente o crime organizado.

Moradores, familiares das vítimas e organizações de direitos humanos denunciaram a operação como uma ‘chacina’, apontando corpos com sinais de execução recolhidos das matas circundantes. O governo do estado, por sua vez, considerou a ação um sucesso, com o governador Cláudio Castro afirmando que as mortes ocorreram em legítima defesa após reações das vítimas, e que as únicas vítimas foram os cinco policiais mortos no confronto.

Nesta quarta-feira (11), a operação foi tema de uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), com o objetivo de emitir recomendações ao Brasil. Anteriormente, a entidade já havia condenado a Contenção por não reduzir a criminalidade enquanto eleva riscos para civis.

Com informações da Agência Brasil

T CSM

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