Novo ciclo de queda da taxa de cpode trazer maior apetite para Bolsa e títulos pré-fixados

juros negativos
Novo ciclo de queda da taxa de cpode trazer maior – Reprodução

Virou consenso no mercado financeiro a projeção de uma queda da Selic, em 2026. O Boletim Focus, que reúne as estimativas de economistas e instituições financeiras do país, projeta que a taxa de juros cairá do atual patamar, 15% ao ano, para 12,25%. O Copom (Comitê de Política Monetária), em sua última decisão sobre juros, sinalizou que o primeiro corte deve ocorrer já em março. A queda, caso se concretize, deve mudar o cenário dos investimentos e dar fôlego a companhias mais endividadas.

A expectativa de redução dos juros se dá devido a um maior controle da inflação e da taxa de desemprego no país, hoje na casa de 5,2%, menor nível da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Uma queda antes não foi possível por conta de riscos fiscais e incertezas no cenário externo.

No mercado de ações brasileiro, diminuição dos juros pode impulsionar, sobretudo, as atividades de construtoras e varejistas, setores mais suscetíveis ao crédito, tanto para o financiamento de imóveis quanto para o consumo de bens duráveis. O cenário de ano eleitoral, por outro lado, pode adicionar volatilidade e mitigar o potencial de valorização da Bolsa, principalmente no segundo semestre.

“Essa movimentação ajudaria mais as empresas relacionadas ao consumo, que normalmente são empresas que estão um pouco mais alavancadas e são sensíveis à despesa financeira porque trabalham com margens um pouco mais apertadas também”, afirma Nícolas Merola, analista da EQI Research. “A gente sabe que grande parte das dívidas dessas empresas está atrelada a prazos curtos. Com a queda da Selic, gera-se um alívio imediato que ajudaria com que as margens delas voltassem a crescer.”

O setor de utilidade pública também aparece como uma alternativa para os investimentos em 2026. As ações do setor, composto por papéis de energia e de saneamento, acumularam uma alta acima do Ibovespa no último ano e são tidas como mais seguras em tempos de volatilidade, já que as companhias trabalham com contratos de longo prazo e apresentam uma maior previsibilidade sobre receitas e despesas. “São ações que apresentam uma relação risco-retorno muito positiva e com proteção à inflação”, complementa o analista da EQI.

O movimento de queda da Selic também tende a ser positivo para papéis com menor nível de negociação na Bolsa. “São ações que historicamente se beneficiam de ciclos de queda de juros, quando há reavaliação de múltiplos e migração da renda fixa para a Bolsa. Esse movimento já começou com o fechamento das curvas futuras e a alta forte do índice em 2025”, diz Enrico Cozzolino, CEO da CZZ Capital.

IBOVESPA EM ALTA EXIGE ATENÇÃO

O Ibovespa acumulou uma forte valorização em 2025: 34%. Boa parte desse movimento se deu pela entrada de um grande fluxo de capital estrangeiro no país. A desvalorização do dólar levou gestores mundo afora a diversificar suas aplicações, sustentando uma retomada dos mercados emergentes. A alta se manteve no início de 2026, mas a aproximação das eleições presidenciais do país pode trazer mais risco aos investidores.

“Parte da descompressão de múltiplos da Bolsa já aconteceu e há um cenário eleitoral que pode adicionar bastante volatilidade. A gente gosta dessa posição em Bolsa, mas estamos reduzindo marginalmente a nossa exposição, principalmente agora nesse começo de ano, aproveitando um pouco desse último upside (potencial de valorização)”, diz Caio Zylbersztajn, sócio da Nord Investimentos.

RENDA FIXA

O perfil do investimento em renda fixa também mudará com a queda dos juros. Os pós-fixados atrelados a Selic vão acompanhar o ciclo de queda, levando a uma redução da rentabilidade desses títulos. Para quem não quiser se aventurar na Bolsa, outras opções devem ganhar mais destaque. “Não dá para ignorar o fato de os títulos pré-fixados serem beneficiados diretamente por essa queda de juros”, afirma Merola, da EQI.

Para quem busca investir em títulos públicos, Zylbersztajn recomenda as NTN-Bs, ou as Notas do Tesouro Nacional da Série B. “A gente vê bastante atratividade nos títulos públicos indexados, nas NTN-Bs, num vértice intermediário entre 2035 e 2040”, afirma o sócio da Nord Investimentos.

Para Angelo Belitardo, gestor de investimentos da Hike Capital, o cenário de incertezas pede maior cautela. “O investidor precisa priorizar ativos que estejam indexados ao CDI e que tenham uma baixa oscilação e maior liquidez, porque, em uma eventual necessidade de mudança, ele vai ter liquidez e dinheiro flexível para mudar de estratégia”, afirma. “Indico fundos de direitos creditórios, fundos de debêntures e fundos com baixo risco de crédito.”

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress