Nunes Marques pauta votação de processo parado há mais de um ano contra deputados do Centrão

BO presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, pautou no último final de semana a votação de um processo movido pela Procuradoria-Geral Eleitoral que pede a cassação de três deputados estaduais do PP de Goiás.

A decisão de Nunes Marques foi tomada após o Estadão questioná-lo, no dia 5 de junho, sobre os motivos da demora para levar o caso à votação. Como revelou o jornal, o presidente do TSE manteve o processo engavetado por um ano e quatro meses. A ação será julgada em plenário na próxima terça-feira, 16.

Ao ser empossado no cargo de presidente do TSE em maio, Nunes Marques decidiu permanecer como relator da ação contra os deputados do PP, contrariando a prática de redistribuição automática dos processos que tramitam sob seus cuidados quando assume a chefia do tribunal.

Em nota, Nunes Marques afirmou que “a seleção dos casos que manterá sob sua relatoria é uma praxe de todos os presidentes que assumem”, mas não respondeu a perguntas sobre o prazo de tramitação nem detalhou os critérios que o fizeram levar o processo para a presidência. Após os questionamentos da reportagem, o presidente pautou o julgamento do caso para esta terça-feira, 16.

Uma portaria do TSE, de 2010, instituiu a “redistribuição automatizada de processos, sempre que ocorrer o afastamento definitivo do relator ou caso seja eleito presidente”.

Mas Nunes Marques manteve o caso do PP de Goiás consigo citando uma regra dos tribunais superiores que prevê a permanência do presidente com um processo quando já fez o relatório ou garantiu ter “aposto o seu visto”, termo que significa que o juiz está a par de todo o caso e pronto para votar.

O processo chegou ao TSE por meio de dois recursos, em outubro de 2024, quando Nunes Marques foi escolhido relator. A Procuradoria-Geral Eleitoral emitiu parecer – contra o PP – ainda no início de fevereiro de 2025.

Desde então, portanto há um ano e quatro meses, não há qualquer decisão do ministro Nunes Marques nem previsão de quando ele vai liberar o processo para julgamento no plenário.

O caso está relacionado a uma denúncia do PL e do DC em Goiás que apontou que o PP lançou mulheres como candidatas fantasmas na eleição a deputado estadual em 2022 para fraudar a cota de gênero. O artifício possibilitou o lançamento de mais candidatos homens competitivos e ampliou as chances de vitória de candidatos da chapa.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress