Uma crônica sobre a cegueira deliberada de quem deveria guardar a Constituição Federal, mas prefere monitorar as vendas do grupo Victor.
Anota emitida pelo escritório de Viviane Barci de Moraes é um monumento ao escárnio público. Tentar convencer o país de que Daniel Vorkaro pagava milhões por palestras sobre moralidade enquanto operava esquemas sob o radar da lei é mais do que uma mentira, é um cuspe na cara de cada brasileiro que trabalha honestamente. O nível de desfaçatez necessário para alinhar essa narrativa com o que foi encontrado no celular do empresário exige um talento para o teatro que Brasília domina como ninguém (ASSISTA AO VÍDEO AQUI).
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Alexandre de Moraes, o paladino da democracia e caçador de notícias falsas, parece ter desenvolvido uma súbita miopia para as informações distorcidas produzidas dentro de sua própria residência. Receber atualizações sobre as negociações do Grupo Victor não é atividade de magistrado, é gestão de portfólio. A promiscuidade entre o exercício do poder supremo e os negócios de família atingiu um patamar onde a moralidade já não é sequer uma lembrança distante, mas um obstáculo a ser atropelado por uma nota de imprensa arrogante.
As nove mensagens recuperadas pela Polícia Federal são o epitáfio da decência nessa relação incestuosa entre o público e o privado. Não adianta Malu Gaspar ser a voz solitária a gritar o óbvio se as instituições ao redor se fingem de surdas para garantir a própria sobrevivência. O que vemos em Brasília é uma quadrilha de aparências, onde o contrato de compliance é o salvo conduto para a impunidade, desde que o carimbo venha da mão certa. É o ápice do cinismo de um sistema que se autoprotege enquanto apodrece por dentro.
A agressividade dessa realidade deveria arrancar a população de sua zona de conforto e levá-la a questionar por que aceitamos ser governados por deuses de pés de barro. É ofensivo que a defesa técnica se sinta confortável em apresentar contradições tão grosseiras entre o que está no papel e o que está no celular de um criminoso preso. Eles não têm medo da verdade porque acreditam que o poder de Alexandre de Moraes é o escudo definitivo contra qualquer consequência lógica de seus atos.
Enquanto o país se afoga em crises, a elite jurídica se preocupa em como esconder as pegadas de uma negociação comercial que nunca deveria ter chegado ao gabinete de um ministro. A Master e o Grupo Victor são apenas as peças de um tabuleiro onde a ética é a primeira a ser sacrificada em nome da manutenção de um status quo vergonhoso. Que a vergonha morda as bochechas desses envolvidos até que eles entendam que o povo não é um rebanho de idiotas esperando para ser enganado por mais uma explicação pífia.
A reflexão urgente que fica é se ainda existe uma linha que separa a justiça da conveniência financeira nos tribunais superiores. Se a esposa do homem mais poderoso do Judiciário pode vender fumaça sob o rótulo de consultoria jurídica, o que resta para o cidadão que busca o direito? A resposta é amarga e cortante. O Caso Master é a prova de que em Brasília a justiça não é cega, ela apenas escolhe muito bem para onde quer olhar quando o dinheiro e o poder estão em jogo.
Tribuna Livre Brasil, com informações do 360 News