A corretora Daiane Souza está desaparecida desde 17 de dezembro, quando desceu ao subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas (GO), para verificar uma nova falta de energia. O caso segue sob investigação.
O QUE ACONTECEU
O desaparecimento ocorreu dentro do condomínio e sem testemunhas conhecidas. Daiane foi vista pela última vez ao descer ao subsolo do prédio para checar a interrupção de energia em seu apartamento.
Câmeras de segurança registraram o deslocamento. Ela também gravou toda a ação, inclusive um diálogo com outro morador que também estava no elevador, até chegar na área técnica do edifício.
Vídeo feito por Daiane é sobre a falta de energia em seu apartamento. Na gravação, que ela enviou para uma amiga antes de desaparecer, a corretora mostra que todas as dependências do condomínio têm energia, menos o seu imóvel, que está no escuro. Ela também reclama com o vizinho sobre a falta de eletricidade em seu imóvel.
O histórico de conflitos entre Daiane e a administração do condomínio é documentado. Desde junho de 2025, a corretora enfrentava embates com a gestão do Golden Thermas Residence, que cortou a energia sob alegação de atividade irregular de marcenaria. Daiane negou qualquer atividade comercial e afirmou ter instalado apenas um armário para uso pessoal.
A Justiça interveio e autorizou o uso de força policial para religar a energia. Após descumprimento de decisão judicial, o condomínio foi multado em R$ 20 mil. Em agosto, o juiz André Igo Mota de Carvalho determinou o restabelecimento do serviço e autorizou apoio policial, se necessário. “Determino que o réu se abstenha de interromper o fornecimento de energia elétrica na unidade consumidora até o julgamento da lide ou determinação do juízo em contrário, sob pena de multa de R$500,00 por dia de suspensão de serviços.”
AMEAÇAS E TENTATIVA DE EXPULSÃO
Daiane relatou ameaças e perseguição meses antes de desaparecer. Em depoimento à polícia, a corretora afirmou que o síndico a intimidava e restringia serviços básicos. “Começou a me ameaçar, a dizer que eu não poderia trabalhar mais lá, a me tirar de lá. Começou a perseguição, a desligar água.”
Moradores chegaram a votar pela expulsão da corretora do condomínio. Em assembleia realizada em 16 de agosto de 2025, a maioria dos condôminos teriam aprovado a remoção de Daiane, segundo documento apresentado pela Record.
A família reconhece as desavenças, mas evita acusações diretas. Ao UOL, a mãe da corretora disse que os conflitos se intensificaram ao longo de 2025, o que levou à ação judicial. Nilse Alves Pontes afirmou não responsabilizar formalmente o condomínio ou moradores pelo desaparecimento da filha.
O QUE AINDA FALTA ESCLARECER NA INVESTIGAÇÃO
As circunstâncias exatas do desaparecimento seguem sem respostas. A polícia ainda não informou quem estava no condomínio no horário do sumiço, se houve movimentação incomum ou se Daiane teve contato com alguém no subsolo. Também não foi divulgado se ela saiu do prédio ou se permaneceu em suas dependências.
O destino da corretora após o último registro permanece um mistério. O celular de Daiane está desativado desde o dia de seu desaparecimento. A polícia fez a quebra de sigilo bancário da corretora, mas não foi realizada nenhuma movimentação financeira que possa ajudar a localizá-la.
A falta de energia no dia do sumiço ainda não foi explicada. O fornecimento elétrico já havia sido alvo de disputa judicial meses antes, após cortes feitos pelo condomínio. No dia do desaparecimento, não há informação oficial sobre a causa da nova interrupção, se foi falha técnica ou ação deliberada, nem quem teria acesso ao sistema elétrico do prédio.
Quem fechou a porta do apartamento de Daiane. No vídeo gravado por ela, é possível ver que a porta do apartamento fica aberta após Daiane sair para ir até o subsolo. No entanto, a família encontrou a porta trancada ao ir ao local após o desaparecimento. Daiane estava sozinha no dia.
O impacto da tentativa de expulsão do condomínio nos meses seguintes ainda é desconhecido. Não há informações sobre possíveis novos conflitos após a assembleia, nem se Daiane sofreu pressões adicionais para deixar o local. Também não se sabe se o episódio agravou a relação com funcionários ou moradores.
A investigação busca avançar sem divulgar detalhes sensíveis. A Polícia Civil de Goiás instituiu uma força-tarefa e transferiu o caso para a Delegacia de Homicídios. Segundo a corporação, novas informações não foram divulgadas para não comprometer o andamento das apurações.