OAB-DF questiona regras do TAF para mulheres em concurso do CBMDF

Mensagem da OAB ao STF expõe racha na advocacia sobre código de ética
Mensagem da OAB ao STF expõe racha na advocacia sobre – Reprodução

A seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Distrito Federal decidiu ingressar com uma ação na Justiça para contestar pontos do edital do concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). A decisão foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Pleno da entidade.

O alvo da contestação são os critérios previstos no Teste de Aptidão Física (TAF) aplicados às candidatas mulheres.

Segundo a OAB-DF, as exigências previstas no edital podem ser consideradas desproporcionais e incompatíveis com o princípio da igualdade.

A proposta de ajuizar uma Ação Civil Pública foi baseada em parecer elaborado pela Diretoria das Mulheres, pela Comissão de Direito Militar e pela Procuradoria de Direitos Humanos da entidade.

O documento analisa as exigências físicas previstas no edital e argumenta que alguns critérios, além de eliminatórios, também interferem na classificação final das candidatas.

De acordo com o presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Siqueira, conhecido como Poli, a iniciativa não pretende desmerecer a instituição, mas discutir possíveis ajustes no processo seletivo. Ele destacou que o objetivo é assegurar segurança jurídica e ampliar a participação feminina na corporação em condições consideradas justas.

Durante a sessão do Conselho, a diretora das Mulheres da OAB-DF, Nildete Santana de Oliveira, citou decisões judiciais que já questionaram exigências físicas semelhantes em concursos públicos.

Segundo ela, determinadas provas físicas podem deixar de avaliar a capacidade funcional do candidato e acabar criando barreiras relacionadas a diferenças fisiológicas.

Outro ponto apresentado pela entidade diz respeito ao impacto dos critérios na taxa de aprovação de mulheres. A presidente da Comissão de Direito Militar, Ana Paula Tavares, apresentou dados de concursos em outros estados que indicam índices maiores de reprovação feminina em determinadas modalidades de teste físico.

Já a procuradora de Direitos Humanos da OAB-DF, Cindy Porto, afirmou que o edital pode entrar em conflito com tratados internacionais ratificados pelo Brasil que tratam da igualdade de gênero no acesso a cargos públicos.

Segundo o procurador-geral de Direitos Humanos da entidade, Idamar Borges, a decisão de recorrer ao Judiciário foi tomada após tentativas de diálogo com o comando do CBMDF sem avanço nas negociações.

A ação ainda deverá ser protocolada e caberá à Justiça analisar a legalidade das exigências previstas no edital do concurso.

T CSM

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