Conflito
Irã reagiu à movimentação e disse que qualquer ação só irá complicar a situação
Estreito é principal rota de navios-tanque de petróleo do mundo | Foto: Reprodução
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O Conselho de Segurança da ONU deve votar neste sábado (4) uma resolução proposta pelo Bahrein que autorizaria “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial no estreito de Hormuz, bloqueado pelo Irã desde o início da guerra com Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro. A votação, inicialmente prevista para esta sexta (3), foi adiada por ser feriado na ONU. O presidente americano Donald Trump, que pressiona aliados a integrarem uma coalizão para reabrir a rota, disse na terça-feira que países que não apoiaram os EUA no conflito deveriam comprar petróleo americano ou ir ao estreito buscar o óleo por conta própria.
O Irã reagiu à movimentação no organismo internacional. “Qualquer ação provocadora por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU em relação à situação no estreito de Hormuz, só complicará a situação”, afirmou o chanceler Abbas Araghchi. A China também se opôs ao texto, com o enviado Fu Cong argumentando que a resolução “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força, o que inevitavelmente levaria a uma maior escalada da situação e resultaria em consequências graves”. Para ser aprovada, a resolução precisa de ao menos nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco membros permanentes: EUA, Reino Unido, França, China e Rússia.
Em meio às tensões diplomáticas, um navio porta-contêiner da francesa CMA CGM cruzou o estreito no dia 2 de abril, tornando-se o primeiro de uma empresa francesa a realizar a travessia desde o início dos ataques. Antes de entrar nas águas territoriais iranianas, a embarcação alterou seu destino cadastrado para “Owner France”, sinalizando a nacionalidade do proprietário às autoridades do Irã. O episódio indica que Teerã pode não tratar a França como nação hostil.
A pressão internacional pela reabertura da via marítima, principal rota de navios-tanque de petróleo do mundo, cresce à medida que países enfrentam custos crescentes de energia e risco de escassez de derivados do petróleo. O Reino Unido sediou na quinta-feira uma reunião virtual com mais de 40 países sobre o tema, sem acordo concreto. Japão e França também sinalizaram coordenação de esforços para pressionar pelo fim do conflito e pela reabertura da rota. O papa Leão 14 telefonou nesta sexta ao presidente israelense Isaac Herzog pedindo que ele “reabra todos os caminhos de diálogo” para encerrar a guerra.