Operação mira bicheiro Adilsinho sob a suspeita de assassinato de rival no RJ

Operação mira bicheiro Adilsinho sob a suspeita de assassinato de rival no RJ
Operação mira bicheiro Adilsinho sob a suspeita de assassinato de – Reprodução

A Justiça decretou a prisão de Adilson Oliveira Coutinho Filho, 55, conhecido como Adilsinho, apontado como bicheiro e suspeito de chefiar a máfia do cigarro no Rio de Janeiro. Ele é procurado sob a suspeita de ser o mandante do homicídio de Fabrício Alves Martins de Oliveira, ocorrido em outubro de 2022.

Uma operação nesta quinta-feira (5) é realizada para realizar a prisão dele e de outros suspeitos de envolvimento no assassinato. A reportagem tenta contato com a defesa.

A vítima foi morta em uma emboscada no pátio de um posto de gasolina, em Campo Grande, na zona oeste da capital, após ser atingida por 14 disparos de fuzil e pistola.

De acordo com as investigações, os atiradores utilizavam vestimentas com inscrições da Polícia Civil, estratégia que teria sido usada para enganar a vítima e facilitar a aproximação.

A motivação do crime está supostamente ligada a disputas comerciais, já que Fabrício e sua esposa possuíam histórico de envolvimento na venda de cigarros contrabandeados, concorrendo diretamente com o grupo de Adilsinho.

A base do grupo de Adilsinho, que segundo a investigação tem controle da venda dos cigarros contrabandeados e falsificados no Rio de Janeiro, está no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Ele exerceria, segundo a polícia, controle rígido sobre as atividades ilícitas, sendo descrito pelos investigadores como o responsável por autorizar o assassinato de desafetos e concorrentes.

Segundo a investigação, participaram do crime três homens, entre eles o policial militar Daniel Figueiredo Maia. A sua defesa não foi localizada pela reportagem.

De acordo com a Polícia Militar, o policial se apresentou em um batalhão, conduzido à 5ª DP, e encontrando-se atualmente na Unidade Prisional da corporação. Segundo a corregedoria, o policial será submetido a PAD (Processo Administrativo Disciplinar).

A PM disse em nota que “não compactua com quaisquer desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos sempre que os fatos forem devidamente constatados”.

No celular de outro procurado, a polícia encontrou mensagens que demonstravam hostilidade contra Fabrício, acusado por ele de realizar roubos de cargas de cigarros, conhecidos no meio criminoso como “botes”.

Em uma gravação, feita meses antes do assassinato, ele questionava abertamente por que a vítima ainda estava viva.

Já no aparelho do policial, a perícia encontrou fotografias dos documentos pessoais de Fabrício feitas no dia de sua morte, além de indícios de que o grupo monitorava outros possíveis alvos.

A investigação também estabeleceu ligação direta entre a morte de Fabrício e o assassinato de seu ex-sócio, Fábio de Alamar Leite, morto dois dias depois, quando deixava o enterro da primeira vítima.

GRUPO IMPÕE DOMÍNIO TERRITORIAL E ELIMINA RESISTÊNCIA, DIZ POLÍCIA

Para os investigadores, os crimes evidenciam a atuação de um bando de extermínio, que utilizava armamento de guerra para impor domínio territorial e eliminar qualquer resistência ao controle do mercado ilegal.

Durante buscas realizadas na residência de um dos alvos, durante a investigação, a polícia apreendeu cerca de 40 mil maços de cigarros paraguaios, além de armas de uso restrito, munições, cadernos de anotações e máquinas de contar dinheiro, reforçando a dimensão industrial da atividade criminosa.

Além do contrabando de cigarros, o grupo liderado por Adilsinho é investigado por envolvimento com jogos de azar e contravenções, utilizando empresas de fachada, como tabacarias e depósitos de gás, para lavagem de dinheiro.

T CSM

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