02/01/2026

Ouro e Bolsa lideram os ganhos financeiros em 2025

grafico investimentos - (crédito: pacifico)

Investidores acumularam lucros de 64%, no ouro, e 34%, na Bolsa, no ano passado. Dólar e bitcoin amargam perdas

Mesmo diante de instabilidades no cenário internacional, sobretudo em relação à guerra tarifária deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a elevação dos juros no Brasil, os investidores voltaram a apostar na renda variável em 2025 e tiveram ganhos expressivos.

A busca pelas ações refletiu diretamente no resultado do Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que teve ganhos de quase 34% no ano passado, o melhor desempenho desde 2016, e atingiu pela primeira vez o patamar nominal de 160 mil pontos. Conforme levantamento da Elos Ayta Consultoria, o índice de dividendos da B3, o IDIV, acumulou ganhos de 30%, reforçando a atratividade das ações na Bolsa brasileira.

Em 2025, 65 ações do IBovespa viram o ano com um valor de mercado maior do que há 12 meses. Dessas, apenas quatro fizeram os acionistas sorrirem “de orelha a orelha” e acumularem ganhos acima de 100%. Foram elas: Cogna, que subiu 239,78%; Cury ( 112,88%); Eneva ( 111,31%); e Cyrela Realty ( 102,32%). Entre as instituições financeiras, os papéis do BTG Pactual chegaram perto dos três dígitos percentuais e cresceram 99,02%. Por outro lado, as maiores perdas ficaram com a Raízen, com desvalorização no ano de 61,97%,enquanto Hapvida e Natura recuaram 54,75% e 40,26%, respectivamente.

O índice das chamadas “small caps” — ações de empresas com menor valor de mercado na B3 — subiu 30,7% no ano, o que representa o maior avanço desde 2019. Já o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) da B3 encerrou 2025 com valorização de 21,15%. Por outro lado, a renda fixa — que foi protagonista nos ganhos nos últimos anos — perdeu espaço no mesmo período, com o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) registrando um avanço de 14,20% no ano. No quarto trimestre, o CDI foi superado pelos outros ativos de renda variável, de acordo com o levantamento. Ainda no contexto de investimentos mais conservadores, a poupança valorizou 8,19% no ano.

O desempenho dos ativos de renda fixa só não foi pior do que a performance demonstrada pelo dólar e pela bitcoin. No caso da criptomoeda, o ano foi de compensação pelos ganhos obtidos em 2024, marcado pelo “halving” — quando a oferta da moeda é reduzida pela metade. Diante disso, o ativo digital apresentou uma desvalorização de 17,62% no ano, a maior desde 2022, quando a queda chegou a 66%. O resultado negativo se intensificou no último trimestre do ano, quando a bitcoin desvalorizou 20,47% e teve o pior rendimento entre as 13 aplicações analisadas pela consultoria.

O índice Ptax, referência do Banco Central para o dólar para as operações de câmbio, acumulou queda de 11,14% no ano, acompanhando o ritmo de desvalorização da divisa norte-americana no resto do mundo. A queda anual foi a maior desde 2016, quando o mesmo indicador recuou 16,54%. Indo mais longe, a queda registrada em 2025 já é a segunda mais relevante desde 2010.

Menos riscos

Na avaliação do economista Otto Nogami, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), 2025 foi o ano de “descompressão de riscos” na economia. Para ele, o cenário não foi eufórico, mas foi relativamente estável, o que permitiu a valorização da Bolsa e uma tranquilidade no câmbio. “O Ibovespa avançou sustentado por resultados corporativos sólidos, fluxo estrangeiro e expectativa de estabilização macroeconômica, encerrando o ano em patamar próximo a 160 mil pontos. Já o dólar recuou para a faixa de R$ 5,40 e R$ 5,50, refletindo prêmio de risco menor, melhora parcial da percepção fiscal e um ambiente global mais favorável a mercados emergentes”, afirma.

Os motivos para a alta na Bolsa, segundo Nogami, foram o lucro corporativo acima do previsto, fluxo estrangeiro e preço atrativo versus mercados desenvolvidos, perspectiva de convergência inflacionária futura e ajuste de preços de ativos após anos de descontos. E, para a descompressão do dólar, atribui a redução do risco internacional, a melhora relativa da percepção fiscal e do fluxo comercial e taxa de juros doméstica elevada, atraindo capital para renda fixa e equities, foram fatores contribuintes.

O professor acredita que os alertas sobre aumento de custos trabalhistas criaram incerteza sobre o impacto inflacionário e pressionaram a curva futura de juros, especialmente nos vértices médios e longos. “Essa precificação elevou o prêmio de risco, reduziu a atratividade relativa dos ativos locais e gerou volatilidade cambial.”

O ouro foi o destaque entre as aplicações de 2025, segundo o levantamento da Elos Ayta. Nos últimos 12 meses, o metal acumulou valorização de 65,24%, sendo que, apenas no quarto trimestre, os ganhos chegaram a 12,67%. O ouro foi o único ativo entre as principais analisadas pela pesquisa capaz de superar todos os índices de renda variável, e, de quebra, com uma ampla margem, reforçando seu papel clássico de proteção patrimonial em um ano marcado por incertezas macroeconômicas e ajustes relevantes nos mercados globais.

Para o gestor e economista-chefe da Nest Asset Management, Rodrigo Marques, há três causas principais para a alta histórica do ouro no ano passado. “Primeiro, o aumento das compras dos bancos centrais desde a invasão da Ucrânia, quando a Rússia passou a sofrer sanções econômicas”, explica. Em segundo lugar, ele destaca a queda dos fundos de reserva que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) mantém com as instituições financeiras do país, chamados de “Fed Funds”. “Em paralelo, observou-se uma depreciação acelerada do dólar, em consequência da elevação das tarifas norte-americanas e da diversificação das reservas dos bancos centrais”, acrescenta Marques.

O economista acredita que o movimento deve ser o mesmo para 2026, considerando o atual cenário de alta do ouro e de queda do dólar. “Com as movimentações políticas relacionadas às eleições presidenciais brasileiras, que tomam forma no final de 2025, a taxa de câmbio torna-se mais volátil apesar de fatores internacionais favoráveis, como novas quedas nos ‘Fed Funds’ e o redirecionamento de investimentos para países emergentes”, explica.

Tribuna Livre, com informações do Índice Bovespa (IBovespa)

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