Pão de Açúcar obtém aval da Justiça para recuperação extrajudicial

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Pão de Açúcar obtém aval da Justiça para recuperação extrajudicial – Reprodução

A 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo aceitou, nesta quarta-feira (11), o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar. A informação foi divulgada em comunicado ao mercado. A empresa enfrenta um endividamento de aproximadamente R$ 4,5 bilhões.

No pedido, a companhia alega que, apesar de possuir “presença consolidada no mercado nacional”, a alta taxa de juros, o peso da folha de pagamento e despesas contratuais elevadas afetam a liquidez, “reforçando a necessidade de reequilíbrio financeiro, a despeito de os resultados operacionais serem positivos”.

“As atividades da companhia – como qualquer varejista – têm sido duramente
impactadas pela alta da taxa básica de juros ao patamar de aproximadamente 15% ao ano. O aumento de despesa financeira comprime as margens operacionais da companhia, pressionando cada vez mais o seu caixa. Em 2024 e 2025, a companhia direcionou mais de R$ 3,3 bilhões para o pagamento de despesas financeiras”, explica.

O especialista em recuperação Max Mustrangi acredita que o grupo pode traçar uma história parecida com a das Lojas Americanas. “São duas marcas muito pesadas e reconhecidas pelo público, mas que a má gestão e a economia enfraquecida as forçaram a reduzir muito o tamanho, fechando diversas lojas e mantendo seus espaços onde já têm um público cativo”, explica.

Com o pedido de recuperação, a empresa ganha uma espécie de blindagem contra ações de falência que poderiam ser movidas por credores. O grupo ainda ganha 90 dias para a negociação das dívidas e 180 dias de suspensão de ações relacionadas a pagamentos. Em contrapartida, os credores têm 30 dias para contestar o pedido.

Diferentemente da recuperação judicial, na modalidade extrajudicial a intervenção do Estado não ocorre em nível de administração. A empresa atingida pelo benefício executa um plano de recuperação homologado pela Justiça. O plano apresentado pelo Pão de Açúcar conta com a assinatura de credores que representam, juntos, pouco mais de R$ 2 bilhões das dívidas a serem honradas.

“Não há dúvida de que a companhia é viável e deve ser preservada. Assegurar a continuidade operacional da companhia significa preservar mais de 37 mil postos de trabalho direitos e mais de 10 mil indiretos e um importante player no mercado de varejo alimentar, responsável pelas compras de milhões de brasileiros – da cesta básica às compras do mês. O Grupo Pão de Açúcar desempenha um papel fundamental na sociedade brasileira e, com a homologação do seu plano de recuperação extrajudicial, continuará a exercer tal papel”, conclui a petição.

T CSM

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