Um em cada quatro brasileiros (24%) já precisou deixar sua casa temporariamente devido a eventos climáticos extremos, como enchentes, deslizamentos, incêndios ou ondas de calor. O dado integra uma pesquisa realizada pela Ipsos para o Instituto Talanoa, divulgada nesta segunda-feira (16), Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas.
Nos últimos 12 meses, os impactos mais citados pelos entrevistados foram ondas de calor extremo (48%), falta de energia elétrica (42%) e tempestades fortes (35%), seguidos por escassez de água (26%), doenças transmitidas por mosquitos (23%) e enchentes (21%).
A pesquisa aponta que o conceito de adaptação climática já é conhecido por parte da população: 81% dos entrevistados afirmam ter ouvido falar dele, embora apenas 13% digam conhecê-lo bem. Além disso, 70% acreditam que os eventos climáticos extremos estão se tornando mais frequentes. Entre os aspectos do cotidiano mais afetados, destacam-se a saúde (40%), a alimentação (37%), os gastos com energia elétrica (37%), a moradia (29%) e a mobilidade (25%).
Apesar de possíveis custos e transtornos, há forte apoio a medidas para preparar cidades e infraestruturas contra os impactos climáticos. Cerca de 63% concordam que novas construções devem considerar os efeitos das mudanças climáticas, percentual que sobe para 76% quando financiadas com recursos públicos. Dois terços da população (66%) apoiam ações de adaptação, mesmo com transtornos imediatos como obras urbanas ou mudanças em regras de construção, enquanto apenas 9% se posicionam contra. O apoio varia por região, de 58% no Sul a 73% no Sudeste.
O levantamento foi conduzido entre 19 e 29 de dezembro de 2025, com 1 mil entrevistas por meio de painel online. A amostra é representativa das classes A, B e C em todo o país, considerando gênero, faixa etária e região.