Pesquisa sobre modulação de spin com luz é publicada na Nature Communications

Pesquisa sobre modulação de spin com luz é publicada na Nature Communications
Pesquisa sobre modulação de spin com luz é publicada na Nature Communications – Reprodução

Uma pesquisa com participação de cientistas da Universidade de Brasília (UnB), apoiada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), foi publicada na revista Nature Communications e ajuda a consolidar o campo da spintrônica. O estudo, realizado em colaboração com o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), demonstra como um feixe de luz pode funcionar como um interruptor para modular correntes de spin, abrindo caminho para dispositivos eletrônicos mais rápidos e eficientes.

O que está em jogo na spintrônica: o spin do elétron

O estudo se insere na área da spintrônica, campo da física que explora o spin do elétron, uma propriedade quântica que pode ser entendida, de forma simplificada, como um “estado interno” da partícula, associado a dois valores possíveis e capaz de representar informação.

Segundo o pesquisador Jorlandio Francisco Felix, professor associado da Universidade de Brasília (UnB) e líder do Laboratório de Instrumentação em Nanomateriais e Sensores (LabINS), a diferença em relação à eletrônica tradicional é clara: “Enquanto a eletrônica convencional utiliza apenas a carga elétrica do elétron, a spintrônica explora também o spin como uma nova forma de codificar informação”.

Na prática, isso pode permitir dispositivos menores, mais rápidos e com menor consumo de energia. Para que isso se torne viável, é preciso conseguir controlar o spin de maneira eficiente.

Luz como ferramenta de controle

Os pesquisadores demonstraram que é possível utilizar luz para controlar a conversão entre uma corrente de spin (fluxo de informação baseado nessa propriedade quântica) em um sinal elétrico mensurável, processo conhecido como conversão spin–carga.

Na prática, isso significa que a iluminação adequada pode intensificar o sinal, reduzi-lo, ou até anulá-lo completamente.

Em vez de depender exclusivamente de correntes elétricas, o sistema pode ser modulado por luz. Esse resultado abre perspectivas para a chamada opto-spintrônica, área que integra propriedades ópticas e magnéticas para o desenvolvimento de tecnologias potencialmente mais eficientes.

Material ultrafino e mecanismos da conversão spin-carga

O experimento foi realizado utilizando dissulfeto de molibdênio (MoS₂), um material bidimensional, com espessura de ordem atômica. Materiais 2D são considerados estratégicos porque permitem miniaturização extrema e podem ser combinados em camadas, formando heteroestruturas com propriedades ajustáveis.

Além disso, o MoS₂ apresenta uma vantagem adicional: deriva da molibdenita, principal minério do molibdênio, o que favorece sua disponibilidade quando comparado a outros materiais avançados.

Mecanismos de conversão

Um dos resultados mais relevantes do estudo foi identificar que a conversão spin–carga no MoS₂ não ocorre por um único caminho. Os pesquisadores mostraram que existem dois mecanismos físicos distintos, um associado às bordas metálicas dos flocos do material e outro relacionado à região interna semicondutora.

Esses dois “canais” atuam simultaneamente e competem entre si. Dependendo da geometria dos flocos e da intensidade da luz, um pode se tornar dominante sobre o outro. Em determinadas condições, ambos podem se equilibrar, anulando o sinal.

Essa compreensão traz maior clareza sobre os mecanismos físicos envolvidos e oferece mais previsibilidade para o projeto de dispositivos futuros.

Aplicações e perspectivas futuras

O controle óptico da corrente de spin pode beneficiar diversas áreas tecnológicas, abrangendo desde o desenvolvimento de memórias e lógicas spintrônicas com menor consumo energético até a criação de sensores acionados por luz, dispositivos híbridos e arquiteturas voltadas ao processamento neuromórfico ou analógico.

Em perspectiva, sistemas integrados que combinam spin e luz podem contribuir para aumentar a velocidade de processamento e reduzir a dissipação de energia.

A pesquisa foi apoiada pela FAPDF por meio da chamada BIO Learning, vinculada ao edital Programa FAPDF Learning (2023), iniciativa da Fundação voltada ao fortalecimento da produção científica nas macroáreas bio, tech, gov e agro.

O artigo foi publicado, em inglês, na revista Nature Communications (2025), uma das revistas científicas de maior prestígio internacional.

*Com informações da FAPDF

T LB

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