Petrobras mitiga impacto da alta do petróleo em meio a tensões no Irã

A Petrobras informou que pode reduzir o impacto da alta dos preços do petróleo no Brasil, ao mesmo tempo em que mantém a rentabilidade da companhia. Em nota encaminhada à Agência Brasil, a estatal reafirmou seu compromisso em mitigar os efeitos da volatilidade no mercado internacional de energia, causada por guerras e tensões geopolíticas, sobre o Brasil.

A empresa destacou que é possível diminuir os efeitos da inflação global decorrente da elevação dos preços do petróleo, considerando em sua estratégia comercial as melhores condições de refino e logística. Essa abordagem permite promover períodos de estabilidade nos preços, resguardando a rentabilidade de forma sustentável e reduzindo a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro.

A Petrobras enfatizou que, por questões concorrenciais, não pode antecipar decisões, mas segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira.

A alta dos preços do petróleo é atribuída à guerra no Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, por onde trafegam cerca de 25% do petróleo mundial. Os preços do barril atingiram US$ 120 na segunda-feira (9), mas caíram após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra estaria próxima do fim. Atualmente, o barril Brent é comercializado abaixo de US$ 100, ainda acima dos cerca de US$ 70, valor médio antes do conflito. Após o fechamento dos mercados, Trump ameaçou o Irã com ataques vinte vezes mais fortes, que tornariam praticamente impossível a reconstrução do país como nação, caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz.

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, explica que a capacidade da Petrobras de mitigar, ao menos em parte, os efeitos da alta é possível porque a companhia abandonou, em 2023, a política de paridade com os preços internacionais (PPI), que determinava a revenda de acordo com os valores globais. Agora, a política considera fatores internos, proporcionando uma margem de manobra.

Apesar disso, a especialista ressalta que a ação da Petrobras tem efeito limitado e temporário, especialmente porque o Brasil ainda é um grande importador de derivados como gasolina e diesel, além de ter refinarias privatizadas. Ela citou como exemplo a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, que foi privatizada, reduzindo os mecanismos de controle de preços em comparação ao que a Petrobras pode fazer.

T CSM

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