Embalada pelo otimismo das bolsas norte-americanas, B3 avança 0,83%, para 161.869 pontos e dólar cai para R$ 5,40. Petróleo fecha com valorização após abrir negociações em queda
Apesar de registrar queda pela manhã, o petróleo encerrou o dia em alta, ontem, em meio às tensões geopolíticas depois da ofensiva ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Venezuela, que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro. Investidores também digeriram a decisão de domingo da Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep ) de manter os níveis de produção de janeiro a março. As bolsas internacionais também registraram altas enquanto o dólar voltou a recuar frente ao real.
Índice Dow Jones saltou 1,23%, ontem, enquanto a Nasdaq, bolsa das empresas de tecnologia avançou 0,69%. Por aqui, aproveitando o otimismo das bolsas norte-americanas, a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) fechou o dia com alta de 0,83%, aos 161.869 pontos.
O barril do petróleo tipo WTI para fevereiro negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) avançou 1,74%, ontem, encerrando a US$ 58,32. Já o do óleo tipo Brent, referência para os preços da Petrobras, para entrega em março, encerrou o dia na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), com elevação de 1,66%, aos US$ 61,76.
Os contratos futuros da commodity chegaram a operar em baixa no início do pregão, devido às preocupações sobre excesso de oferta, mas ganharam fôlego ao longo do dia com o risco geopolítico apresentado na Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do mundo. Maduro compareceu ao tribunal federal dos EUA, em Nova York, para a audiência de custódia. Ele e sua esposa se declararam inocentes.
O economista aposentado do Banco Central Newton Marques explicou que as oscilações no mercado refletem as incertezas, já que ainda não há clareza sobre as diretrizes para a produção e a exportação do petróleo venezuelano. Ele destacou que a Venezuela mantinha fluxos regulares de exportação para países como Cuba, Rússia, Irã e China e questiona-se se essas relações comerciais serão preservadas. De acordo com ele, o risco geopolítico provoca expectativas de mudanças na oferta do petróleo venezuelano. “Existem mais dúvidas que certezas porque os EUA determinarão a política de produção e exportação do petróleo venezuelano, segundo as palavras do Trump”, disse.
De acordo com dados da consultoria Capital Economics, as implicações econômicas e financeiras de curto prazo são mínimas após o ataque a Caracas. Apesar do desejo óbvio de Trump de que as empresas petrolíferas dos EUA aumentem suas atividades na Venezuela, os preços baixos do petróleo e a incerteza política frustrarão os esforços para explorar seu vasto potencial energético.
Marques também avaliou que é improvável que os Estados Unidos consigam exercer controle pleno sobre a cadeia do petróleo venezuelano. Ele comparou a situação a experiências anteriores dos EUA, “lembra muito a situação do ex-presidente norte-americano George Bush no Iraque”. Naquela época, Bush alegou produção de armas para extinção em massa e nada foi encontrado após a invasão, e, como consequência, “não conseguiu administrar o caos que passou a existir no Iraque”.
O economista e professor de mercado financeiro da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo, avaliou que a intervenção norte-americana ocorre em um contexto marcado por disputas históricas e estratégicas em torno do setor petrolífero venezuelano. Segundo ele, a infraestrutura de petróleo do país já contou com participação direta de empresas dos EUA até o período das privatizações, seguido pela expulsão de diversos atores internacionais. “Esse movimento incluiu empresas americanas e também a Petrobras, o que contribuiu para o aumento da ineficiência da indústria local”, afirmou.
A apesar de ter avançado para R$ 5,45, pela manhã, o dólar comercial perdeu força à tarde e encerrou o pregão com queda de 0,37%, cotado a R$ 5,405 para a venda.
Tribuna Livre, com informações da Agência Estado









