As transferências via Pix atingiram um novo recorde em 2025 e movimentaram R$ 35,36 trilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). No total, foram realizadas 79,8 bilhões de transações ao longo do ano, um crescimento expressivo frente a 2024, quando o sistema registrou R$ 26,24 trilhões em movimentações e 63,5 bilhões de operações — altas de 33,6% tanto em valor quanto em quantidade.
O avanço consolida o Pix como o principal meio de pagamento do país, mas também acende alertas sobre segurança. Apenas em 2024, o BC contabilizou R$ 6,5 bilhões em perdas causadas por fraudes, aumento de 80% em relação ao ano anterior. Já em 2025, o órgão registrou o maior ataque hacker do país contra instituições ligadas ao sistema, com desvio estimado em R$ 800 milhões.
Diante desse cenário, o Banco Central passou a exigir que as instituições financeiras adotem procedimentos mais amplos para a devolução de valores em casos de fraude ou falhas operacionais. Antes, a restituição dependia exclusivamente da conta usada no golpe — um problema, já que criminosos costumam sacar ou transferir rapidamente os recursos para outras contas, dificultando o rastreamento.
Outra medida recente é a chamada “coincidência cadastral”, que obriga a compatibilidade entre os dados das chaves Pix e as informações registradas na Receita, reduzindo a abertura de contas com identidades falsas.
Novas funcionalidades do Pix
Além do reforço nos mecanismos de proteção, o BC planeja ampliar as possibilidades de uso do Pix já a partir de 2026. Entre as inovações em estudo estão:
- Cobrança híbrida: inclusão no regulamento da opção de QR Code que permita tanto o pagamento via Pix quanto por boleto bancário. Hoje a prática é facultativa, mas a expectativa é torná-la obrigatória a partir de novembro.
- Pagamento de duplicatas: uso do Pix para quitar duplicatas escriturais, facilitando a antecipação de recebíveis e reduzindo custos operacionais — uma alternativa direta aos boletos.
- Split tributário: adaptação do sistema ao modelo de recolhimento em tempo real de impostos que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal do Brasil no âmbito da reforma tributária do consumo. A partir de 2027, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) deverá ser paga no ato da compra quando a transação ocorrer por meio eletrônico.
Outra frente de debate é o chamado Pix Parcelado, pensado como alternativa ao cartão de crédito para cerca de 60 milhões de brasileiros que hoje não têm acesso a esse meio de pagamento. Embora várias instituições já ofereçam parcelamentos via Pix como linha de crédito própria, o BC estuda padronizar as regras. Ainda não há prazo definido para a implementação.