HOMICÍDIO
Justiça aceitou denúncia e entendeu que sargento assumiu risco ao atirar contra carro durante perseguição policial
Policial militar vira réu por homicídio após morte de mecânico em blitz em Goiânia (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A Justiça de Goiás tornou réu o terceiro-sargento da Polícia Militar (PM) Fellipe Mecenas de Oliveira Lima, de 35 anos, acusado de homicídio doloso pela morte do mecânico Marcus Phelipe de Souza Almeida, de 27 anos. O jovem foi baleado na cabeça e no ombro durante uma perseguição policial após o carro em que estava tentar fugir de uma blitz em outubro de 2023, em Goiânia. A decisão que aceitou a denúncia foi divulgada na quinta-feira (22).
O caso aconteceu durante uma fiscalização da operação Balada Responsável, na Avenida Vieira Santos, no Setor Residencial Bougainville. Marcus estava no banco do passageiro de um carro conduzido por um amigo, que desobedeceu a uma ordem de parada e fugiu em direção a Aragoiânia, onde os dois seguiriam para uma festa.
PM alega troca de tiros, mas laudos contestam
Segundo a versão apresentada inicialmente pela Polícia Militar, houve troca de tiros durante a perseguição. Já o motorista do veículo disse em depoimento que os primeiros tiros ocorreram sem qualquer reação do passageiro.
Desde o início, familiares de Marcus contestam a narrativa de legítima defesa. Eles afirmam que o jovem não portava arma de fogo e questionam a apreensão de um revólver, levantando a suspeita de que o objeto tenha sido colocado no local após o ocorrido. A família também destaca que o carro tinha problemas mecânicos, o que, segundo eles, tornaria improvável uma fuga em alta velocidade ou manobras contra os policiais.
Laudos periciais da Polícia Civil concluíram que não houve disparos feitos a partir do veículo em que Marcus estava e descartaram a existência de confronto armado. A perícia também indicou que o mecânico foi atingido logo no início da ação, perdeu a consciência e não teve qualquer chance de reagir. As investigações também apontaram que informações incorretas repassadas pela PM atrasaram a análise do carro e de outros vestígios.
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O sargento foi indiciado em julho de 2025, sob a acusação de ter assumido o risco de matar ao efetuar disparos contra o carro em fuga. Apesar disso, o Ministério Público de Goiás arquivou o caso em setembro do mesmo ano, alegando insuficiência de provas. A decisão provocou reação da família da vítima, que recorreu e apresentou novos argumentos, com base nos laudos técnicos e em contradições nos relatos policiais.
Com o recurso, o processo foi reaberto em dezembro de 2025. Um mês depois, a Justiça acolheu a denúncia e transformou o policial em réu por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou assume o risco de provocar a morte.
Em nota, a Polícia Militar informou que segue as decisões do Poder Judiciário e que os procedimentos administrativos foram adotados na época dos fatos. A defesa do sargento Fellipe Mecenas não foi localizada até a publicação desta reportagem.
O processo segue agora para a fase de instrução, com coleta de depoimentos e produção de novas provas, antes de uma decisão sobre o julgamento pelo Tribunal do Júri.
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