“Ela é uma mulher muito simpática. Mas não tem o apoio nem o respeito do país.”
O que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no último sábado (03/01) sobre a líder da oposição venezuelana María Corina Machado surpreendeu e, em muitos círculos oposicionistas, desagradou.
Após dar detalhes sobre a prisão de Nicolás Maduro, Trump afirmou que os EUA irão administrar a Venezuela.
A palavra “transição” foi mencionada, mas não houve referência a eleições.
Menos ainda ao comando da oposição, representada principalmente por Corina Machado, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, e Edmundo González Urrutia, a quem muitos consideram o presidente eleito da Venezuela após as eleições de 28 de julho de 2024.
Nessas eleições, a oposição coletou 85% de cópias das atas de votação que confirmariam sua vitória e denunciou fraude eleitoral depois que o Conselho Nacional Eleitoral proclamou Nicolás Maduro vencedor sem apresentar os registros oficiais. Até hoje, o órgão eleitoral não divulgou esses documentos.
Tampouco ocorreu a esperada troca de governo com o ataque dos EUA em território venezuelano.
Na segunda-feira (05/01), a até então vice-presidente, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina, como se define a Constituição da Venezuela em caso de ausência de presidente.
Rodríguez é considerada uma pessoa leal a Maduro e integrante de seu círculo de poder.
“Ela é uma das principais operadoras da tortura, perseguição, corrupção e tráfico de drogas”, descreveu Corina Machado na segunda-feira (05/01) em entrevista à emissora americana Fox News, a primeira concedida por ela desde a captura de Maduro.
“Ela (Rodríguez) é a principal aliada e o principal elo com a Rússia, China e Irã; certamente não é uma pessoa em quem os investidores internacionais possam confiar e é amplamente rejeitada pelo povo venezuelano”, disse Corina Machado.
Corina Machado também elogiou Trump por suas “ações corajosas”, lembrou que dedicou Prêmio Nobel da Paz que recebeu em outubro ao presidente dos EUA e, ao ser questionada sobre sua possível volta à Venezuela, respondeu: “Quero voltar o quanto antes”.
Corina Machado sustenta que a oposição que lidera transformaria a Venezuela em um centro energético para as Américas, que restauraria o Estado de Direito para garantir a segurança do investimento estrangeiro e que facilitaria o retorno dos venezuelanos que, segundo ela, deixaram o país durante o governo de Maduro.
“A transição precisa avançar”, disse.
Tribuna Livre, com informações da BBC News










