O Tribunal de Santa Maria da Feira, em Portugal, começa a julgar nesta quinta-feira (19) Miguel Ângelo, jovem de 18 anos acusado de planejar massacres em escolas no Brasil.
O QUE ACONTECEU
Mikazz, como é conhecido na internet, responde por 240 crimes. Sete deles são de homicídio um consumado e seis tentados.
Acusação afirma que Miguel incitou um adolescente de 16 anos a cometer um ataque a tiros em uma escola de Sapopemba, em São Paulo. Crime resultou na morte de Giovanna Bezerra, em 2023. Pelo menos outros dois massacres teriam sido impedidos por autoridades brasileiras.
O Ministério Público de Portugal acusa o Miguel Ângelo de liderar uma célula neonazista e o grupo “The Kiss” na internet. Segundo a acusação, membros do grupo compartilhavam discursos racistas e havia incentivo à automutilação e à violência contra animais.
Miguel Ângelo está preso preventivamente em Portugal desde maio de 2024. Conforme as investigações, ele teria ordenado massacres no Brasil a partir das cidades portuguesas Santa Maria da Feira e Gondomar.
O autor do massacre em Sapopemba tinha 16 anos. O atirador, um aluno do 1º ano do ensino médio, transmitiu o ataque ao vivo e deixou outros três colegas feridos. “Eles pediram para eu fazer e eu fiz”, alegou o menor, referindo-se aos membros do grupo.
Todas as vítimas baleadas são mulheres. Giovanna foi atingida na cabeça e não resistiu aos ferimentos. As outras duas têm quadro estável e não correm risco de morte. As informações foram passadas pela PM à reportagem.
O Ministério Público de Portugal concluiu que o brasileiro não teria capacidade de planejar e agir sozinho, e que a influência do português foi decisiva para o assassinato. As provas foram reunidas graças a uma força-tarefa internacional entre a Polícia Judiciária e a Polícia Federal.