Acompanhamento de alto risco no HRSM
O ambulatório de pré-natal especializado do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) acompanha gestantes com maior risco de complicações no Distrito Federal, atuando na prevenção da mortalidade materna. O serviço, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), realizou 874 atendimentos nos quatro primeiros meses do ano, destacando a importância do cuidado adequado durante a gestação, parto e pós-parto.
O que parecia um desconforto comum da gravidez tornou-se um sinal de alerta para Elane Carolina Carvalho. Após perda contínua de líquido amniótico, ela foi internada no HRSM, onde segue em acompanhamento especializado para o nascimento do filho Miguel.
“Eu acordei vazando líquido. Achei que fosse algo normal, mas ele continuou descendo. Quando fui ao hospital, fizeram exames, a médica percebeu que eu já tinha perdido bastante líquido e decidiu pela internação”, relata Elane. Moradora de Valparaíso (GO), ela fazia o pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e, até a 29ª semana, a gestação seguia sem alterações.
Planejamento e diagnóstico precoce
Casos como o de Elane fazem parte da rotina do ambulatório de pré-natal de alto risco do HRSM. A ginecologista e obstetra Rafaella Torres explica que esse tipo de assistência é indicado para mulheres com doenças crônicas, histórico de complicações obstétricas ou alterações identificadas ao longo da gravidez.
“Um pré-natal bem-feito garante mais segurança para a mãe, favorece o desenvolvimento saudável do bebê e permite que a equipe médica acompanhe a gestação de forma individualizada e criteriosa”, destaca a especialista.
Nesta quinta-feira (28), o Brasil celebra o Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna, data que reforça a importância da assistência adequada durante a gravidez, o parto e o pós-parto.
Segundo a especialista, o planejamento da gravidez também influencia a saúde materna e fetal. Mulheres com doenças prévias devem procurar orientação médica antes de engravidar para alinhar exames, medicações e estratégias para reduzir riscos.
Entre as condições que exigem maior atenção estão hipertensão arterial, diabetes, lúpus, obesidade grave, doenças cardíacas, neurológicas e psiquiátricas, além de infecções crônicas como hepatites e HIV. Pacientes com histórico de abortos recorrentes ou descolamento de placenta também precisam de monitoramento diferenciado.
“Tudo isso deve ser observado pelo obstetra para colocar essa futura mãe sob um olhar mais criterioso; se, no decorrer da gestação, surgir um quadro de diabetes, pré-eclâmpsia ou alguma infecção, essa paciente passa a ser considerada de alto risco”, ressalta Rafaella Torres.
Mortalidade materna e a importância do pré-natal especializado
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 260 mil mulheres morrem anualmente no mundo por complicações relacionadas à gravidez, parto ou pós-parto. Grande parte dessas mortes poderia ser evitada com acesso a serviços de saúde adequados.
No Brasil, dados preliminares do Ministério da Saúde de 2024 apontam uma taxa de 44,41 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos. Embora o índice seja menor que o registrado durante a pandemia, os números reforçam a necessidade de ampliar estratégias de prevenção e assistência.
Quando e como procurar ajuda
No Distrito Federal, o acesso ao atendimento especializado começa nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Ao descobrir a gravidez, a mulher deve buscar sua UBS de referência para iniciar o pré-natal. Após avaliação médica, pacientes com fatores de risco são encaminhadas para ambulatórios especializados, como o do HRSM.
Um acompanhamento convencional prevê consultas mensais até a 32ª semana, quinzenais até a 36ª semana e, depois, semanais até o parto. Condições prévias podem exigir consultas mais frequentes e acompanhamento conjunto com outros especialistas.
Sinais como sangramentos, perda de líquido, dores intensas, febre, pressão alta e diminuição dos movimentos do bebê exigem avaliação médica imediata. “Quanto mais cedo essa paciente inicia o acompanhamento, maiores são as chances de prevenir complicações e garantir mais segurança para mãe e bebê”, reforça Rafaella Torres.
*Com informações do IgesDF