A Prefeitura de São Paulo foi questionada dias antes sobre a estrutura do pré-Carnaval na rua da Consolação, onde o desfile de dois megablocos foi marcado por tumulto ontem. Em resposta, a gestão afirmou que adotaria medidas de segurança e logística para o evento.
A parlamentar destacou atrações famosas e estimativa de público. O documento menciona que o Bloco Skol teria como atração principal o DJ Calvin Harris, além de artistas populares. Já o Acadêmicos do Baixo Augusta previa público de até 1,5 milhão de pessoas. A sobreposição foi apontada como risco diante da “somatória expressiva de foliões”.
Documento apontou possível impacto logístico e de dispersão. A vereadora indicou preocupação com concentração e saída dos blocos na mesma região. O cruzamento da Consolação com a avenida Paulista foi citado como ponto sensível. Ela alertou que “atrasos, aglomeração na concentração e dificuldades na dispersão poderão gerar impactos relevantes no entorno”.
Prefeitura respondeu dizendo que tomou providências. Em resposta, a SPTuris, empresa de turismo e eventos da capital, disse à vereadora que a Comissão Especial do Carnaval de Rua 2026 tomou providências para ambos os blocos. Segundo o órgão, o objetivo era garantir que os desfiles ocorressem “com excelência”, considerando as dimensões e o público esperado.
Gestão municipal citou reuniões com órgãos públicos e vistorias técnicas. A prefeitura informou que fez encontros com a Polícia Militar, Guarda Municipal, companhia de trânsito, Metrô e outras instituições. Também disse que realizou visitas técnicas individualizadas com cada bloco. Nessas vistorias, teriam sido definidos pontos sensíveis do trajeto.
Planejamento incluiu acessos, grades e efetivo de segurança, segundo a prefeitura. A SPTuris disse que foram estabelecidos locais de entrada para público, artistas e ambulantes cadastrados. A gestão disse que instalaria grades ao longo da via, incluindo a chamada “linha da vida” para circulação de equipes de emergência.
Horários e deslocamentos foram planejados de forma distinta. Segundo a resposta, os blocos sairiam de locais e horários diferentes. O intervalo permitiria limpeza da via entre os desfiles.
O encontro de dois blocos gerou superlotação. Houve confusão, tumulto e atrasos, com foliões passando mal e parte do público prensada nas grades de contenção.
O problema começou durante o desfile do bloco que tinha como principal atração o DJ escocês Calvin Harris. Além dele, tocaram os cantores Nattan, Xand Avião, Felipe Amorim e Zé Vaqueiro. Pouco depois do meio-dia, o cortejo parou de avançar, houve empurra-empurra e desmaios, levando artistas a interromperem apresentações para pedir socorro ao público. Com a superlotação, foliões tiveram dificuldade para chegar aos postos médicos.
Grades da Escola Paulista de Magistratura foram derrubadas, e participantes ocuparam parte da área do imóvel. Outros chegaram a se segurar em portões de prédios para conseguir respirar.
As paralisações atrasaram os desfiles. Calvin Harris só iniciou o show pouco depois das 15h, mais de uma hora após o previsto. O atraso impactou o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, que começaria às 14h no mesmo local e teve a saída adiada em cerca de duas horas.
Prefeitura acionou plano de contingência. Por volta das 15h, segundo a gestão municipal, as vias transversais foram abertas para dispersão, houve bloqueio de novos acessos e atuação da GCM na condução do trio elétrico.
Apesar do tumulto, p prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou o primeiro final de semana de folia na cidade como um “sucesso”. O UOL procurou a Prefeitura de São Paulo para comentar sobre o ofício enviado pela vereadora e saber se haverá mudanças no planejamento para os próximos dias de folia.