O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), se declarou como “vermelho” ao afirmar que “nós, vermelhos, temos causa”. A afirmação foi feita durante um evento institucional sobre a Justiça do Trabalho, realizado em 1º de maio.
Apesar de afirmar que “não existe juiz azul ou vermelho”, Mello Filho passou a adotar, ao longo do discurso, uma divisão simbólica entre magistrados e atores que, segundo ele, atuariam por “interesses” e aqueles que atuariam por “causas”. Ao se incluir explicitamente no segundo grupo, voltou a usar a expressão “vermelhos” para definir a atuação que atribui à Justiça do Trabalho, conferindo-lhe um papel político e social.
“Nós, vermelhos, temos causa. Não temos interesse. E que fique bem claro isso, para quem fica divulgando isso aqui no País. Nós temos uma causa. E eles que se incomodem com a nossa causa. Porque nós vamos estar lá lutando o tempo todo na defesa da nossa instituição, porque as pessoas vulneráveis desse País precisam de nós. E a Constituição nos dá o poder para isso”, afirmou.
Mello Filho defendeu TST como combatente do “capitalismo selvagem”
Ainda que ressalte não ter “preocupação com os azuis”, o presidente do TST reforçou o contraste ao associar a si e a seus aliados institucionais uma missão permanente de enfrentamento a críticos da Justiça do Trabalho, apresentados como “defensores de interesses econômicos”.
Segundo o ministro, a Justiça do Trabalho não deveria se limitar à aplicação estrita da lei, mas atuar como instrumento de contenção ao que classificou como “capitalismo selvagem e desenfreado”, além de exercer papel regulador nas relações entre empresas e trabalhadores.