Primeira turma de letramento racial para servidores da assistência social é formada

Primeira turma de letramento racial para servidores da assistência social é formada
Primeira turma de letramento racial para servidores da assistência social é formada – Reprodução

A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), em parceria com a Escola de Governo do Distrito Federal (Egov), realizou entre 9 e 13 de março a primeira edição do curso “Letramento Racial para a Proteção Social”. Voltada a servidores da pasta, a iniciativa de letramento racial teve como objetivo capacitar os profissionais para compreender, reconhecer e lidar com questões étnico-raciais no contexto do atendimento socioassistencial.

O curso de letramento racial e seu impacto

“A atuação da Sedes é central na redução das desigualdades sociais e na promoção da cidadania. Para que esse trabalho seja verdadeiramente inclusivo, é fundamental adotar uma abordagem consciente e permanente de combate ao racismo no cotidiano dos serviços”, destacou a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra.

A formação reuniu servidores dos centros de referência da assistência social (Cras/Creas), dos Centros de Convivência (Cecon), das unidades de acolhimento e também da gestão da secretaria. Loyde Cardoso, instrutora do curso e assessora da Subsecretaria de Assistência Social da Sedes, destacou os principais temas abordados.

“Apresentamos desde a construção histórica das vulnerabilidades sociais e materiais que marcam a população atendida pela assistência, até a formação das relações raciais no Brasil. Também aprofundamos discussões sobre branquitude, dinâmicas de poder e os efeitos dessas estruturas no acesso a direitos e políticas públicas”, explicou Loyde. Segundo a instrutora, a expectativa é que uma nova turma seja ofertada já no mês de maio.

Estrutura e Metodologia

Com carga horária total de 20 horas, a primeira formação foi oferecida na modalidade presencial na Egov, combinando aulas expositivas e oficinas teórico-práticas. A metodologia adotada incentiva debates, reflexões coletivas e atividades práticas, promovendo uma imersão crítica e aplicada ao cotidiano dos serviços.

Práticas antirracistas e dados no DF

O portal da Sedes disponibiliza um protocolo para promoção da equidade racial nos serviços socioassistenciais. O documento, pioneiro no DF, reúne orientações para garantir a equidade racial no atendimento à população negra que utiliza o Sistema Único de Assistência Social (Suas) no Distrito Federal.

O dispositivo também apresenta orientações para tratamento e denúncia dos casos de racismo, tanto entre servidores quanto por usuários dos serviços, além de evitar práticas discriminatórias dentro da unidade e considerar o critério raça como fator para planejamento das ações.

No Distrito Federal, de acordo com dados do Cadastro Único de agosto de 2025, mais de 75% das pessoas inscritas se consideram negras. “O primeiro passo é o reconhecimento de que o racismo existe. Muitas vezes, no dia a dia, as pessoas tentam dar outros nomes para determinadas situações e acabam não identificando que se trata, de fato, de racismo”, enfatiza Loyde Cardoso.

A servidora da Sedes explica que o letramento racial é importante para todos, inclusive para os próprios profissionais da assistência social, que muitas vezes também são pessoas negras e vivem essas questões no cotidiano. “A partir desse reconhecimento, o próximo passo é refletir sobre o papel de cada profissional dentro dessas relações e como a estrutura dos serviços pode contribuir para a superação das desigualdades raciais”, finaliza.

*Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF)

T LB

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