Promotor alerta para riscos à soberania ao classificar facções como terroristas

Promotor alerta para riscos à soberania ao classificar facções como terroristas
Promotor alerta para riscos à soberania ao classificar facções como – Reprodução

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo, alertou para os riscos à soberania brasileira caso os Estados Unidos classifiquem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional nesta quinta-feira (12), Gakiya afirmou que tal designação poderia abrir precedentes para operações militares estrangeiras, como ações secretas da CIA ou de forças especiais no território brasileiro. Investigador do PCC há mais de 20 anos, o promotor vive sob escolta policial devido a ameaças de morte e é considerado um dos maiores especialistas no modus operandi do crime organizado no Brasil.

Gakiya defende que as facções sejam tratadas como organizações criminosas do tipo mafioso, sem motivação ideológica terrorista, alinhando-se ao conceito adotado pela maioria dos países desenvolvidos e pela ONU. Esse conceito exige que atos violentos tenham objetivos ideológicos, como crimes de ódio ou razões políticas, características ausentes no PCC e no CV, que exibem traços de formação empresarial, infiltração em poderes públicos por corrupção, dominação territorial e atuação transnacional.

Segundo o promotor, a reclassificação traria mais prejuízos que benefícios, permitindo que os EUA tratem a segurança pública brasileira sob uma ótica militar e de segurança nacional. Ele destacou implicações como sanções econômicas severas, possível saída de sedes de multinacionais do Brasil e interrupção de cooperações policiais com agências como o FBI e a DEA, com informações sendo centralizadas em órgãos militares e de inteligência.

Gakiya criticou a visão de parte da população influenciada por viés político, que acredita que a classificação endureceria o combate aos criminosos e traria mais recursos estrangeiros. Pelo contrário, alertou ele, o foco passaria da esfera policial para a militar, potencialmente fechando canais de troca de informações e inviabilizando investigações conjuntas.

O promotor citou como exemplo uma operação militar nos EUA na Venezuela em janeiro deste ano, sugerindo que o Brasil poderia se tornar alvo similar.

Com informações da Agência Brasil

T CSM

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