Recuperação judicial é instrumento, não destino da empresa, diz CEO da Casas Bahia


MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS


Para o CEO da Casas Bahia, Renato Franklin, a recuperação judicial da empresa é um instrumento para reorganizar passivos e proteger o caixa, e não o destino da companhia.

“O destino continua o mesmo: ter uma operação saudável e rentável, que a gente vem evoluindo. Mas ela é um instrumento para a gente poder realmente resolver os passivos estruturais da companhia”, afirmou em teleconferência nesta segunda-feira (17).

Segundo Franklin, o pedido também é uma forma de fortalecer a continuidade da operação da varejista, “permitindo não só a captação de linhas de crédito de curto prazo, mas também a monetização de alguns daqueles ativos, preservar esses pilares da operação, negociando de forma organizada com os credores”.

O CEO também disse que a mudança no cenário macroeconômico contribuiu para a decisão de pedir recuperação judicial. Segundo Franklin, a alta dos juros, a guerra entre Estados Unidos e Irã e a maior volatilidade no cenário eleitoral afetaram duas frentes planejadas pela empresa: o aumento do limite de crédito com seguradoras e a captação de recursos no mercado de capitais.

“A gente começou a ter um cenário macro muito diferente. Em abril, começou a guerra entre Estados Unidos e Irã, tivemos pressão sobre o petróleo, que subiu de preço, gerando pressão inflacionária e elevação da curva de juros. Também tivemos a questão eleitoral, com alguns episódios que trouxeram mais volatilidade e, consequentemente, mais impacto sobre juros. Isso acabou resultando na redução dos limites de algumas seguradoras, comprometendo nossa capacidade de compra”, afirmou.

Franklin defendeu que houve evolução operacional da empresa, mas disse que os resultados ainda não são suficientes. “A evolução operacional não foi suficiente para bancar todos os passivos que temos no curso financeiro”, afirmou.

Segundo a empresa, a reformulação do balanço equacionou as dívidas financeiras, mas ainda há “passivos operacionais, contratos muito caros e ajustes que precisam ser feitos de forma mais estrutural”.

O diagnóstico já havia sido feito pela empresa no relatório da administração. Segundo o documento, a companhia reduziu as compras de estoque, medida que teve efeito positivo sobre o caixa, mas contribuiu para a necessidade de operar em uma escala menor.

Na chamada Fase 2 do Plano de Transformação, a companhia afirma que pretende priorizar canais e categorias de maior margem e rentabilidade, reduzir o capital empregado e o custo de financiamento e fortalecer a geração de caixa. “Em um ciclo mais adverso e com custo de capital ainda alto, entendemos que o tamanho que se justifica é menor, não como objetivo, mas como consequência da disciplina”, afirma a administração.

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na Justiça de São Paulo no final da noite deste domingo (16), e declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões.

O pedido engloba dez empresas da holding, entre elas a dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.

O grupo também informou a demissão de cerca de 3.000 funcionários, dos mais de 30 mil colaboradores que possui, e o fechamento de quase 300 lojas —segundo o documento, a Casas Bahia possui mais de 700 lojas físicas, e o Ponto Frio, mais de 65.

No domingo (16), a rede havia anunciado prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre, ante perda de R$ 555 milhões em igual período do ano passado. É o oitavo trimestre seguido de perdas.

O valor deixa o patrimônio líquido da Casas Bahia negativo em R$ 8,1 bilhões. Isso significa que, se a varejista vender tudo aquilo que possui em bens e direitos a receber, ainda faltarão bilhões para pagar credores.

Ainda de acordo com o pedido de recuperação judicial, o modelo da varejista é altamente dependente de capital de giro, financiamento a estoques, operações de risco sacado com fornecedores e do crédito direto ao consumidor.

Com a escalada dos juros e da inflação, houve encarecimento do crédito, compressão da renda das famílias de menor poder aquisitivo e avanço da inadimplência nos carnês e cartões, além de aumento expressivo da concorrência de plataformas digitais, diz a petição.


T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress