‘Ressaca’ da copa faz varejo cair 0,8% em julho

Rio, 15 – As vendas do comércio varejista recuaram 0,8% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo IBGE. Na comparação com julho de 2025, houve alta de 1,2%. No acumulado de 2026, o varejo restrito avança 1,8% e, em 12 meses, 1,6%.

O resultado mensal veio no piso das estimativas do Projeções Broadcast. A mediana apontava queda de 0,3%, com intervalo de queda de 0,8% a aumento de 0,3%. Já no confronto interanual, o avanço de 1,2% ficou abaixo do esperado, cuja mediana era de 2,2%, com projeções entre 1,4% e 3,3%.

O gerente da pesquisa, Cristiano Santos, destacou que o recuo de julho ocorreu após dois meses de variações positivas, ainda que pequenas – de 0,2%, em maio, e 0,3% em junho. Ele ressaltou, no entanto, que o pico da série histórica segue próximo. Após três altas consecutivas no primeiro trimestre, o indicador atingiu o topo da série em março de 2026, renovando o recorde anterior de novembro de 2025. “O mês de julho está 1,5% abaixo do topo da série. O pico continua muito próximo”, disse.

Na leitura setorial, móveis e eletrodomésticos recuaram 4,9% em julho, e livros, jornais, revistas e papelaria caíram 4,2%. Segundo Santos, a Copa do Mundo influenciou o comportamento do varejo entre maio e julho, com uma “ressaca” em julho após o pico de vendas de maio e junho.

Ele afirmou que o movimento se relaciona mais com a parte de eletrodomésticos do que com móveis, devido à venda de televisores. “É um retorno ao que aconteceu na maior parte do ano e, principalmente, no primeiro semestre de 2026 para móveis e eletrodomésticos”, afirmou.

A retração de 4,9% foi a mais intensa desde dezembro de 2023, quando o segmento de móveis e eletrodomésticos recuou 6,6%. No caso de livros, jornais, revistas e papelaria, o técnico apontou influência do ciclo de vendas de álbuns de figurinhas do mundial A atividade registrou forte alta em maio, de 17,3%, e recuo de 11,7% em junho na comparação com maio, mantendo queda em julho e com perda de fôlego também no interanual.

No varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado alimentício, as vendas subiram 0,4% em julho ante junho, após queda de 1,1% em junho. Nesse caso, o resultado ficou abaixo da mediana do Projeções Broadcast, de 0,9%. Na comparação com julho de 2025, o ampliado cresceu 1,8%, também abaixo da mediana projetada, de 2,5%. No acumulado do ano, o ampliado avança 1,9% e, em 12 meses, 1,2%, ante 0,8% até junho.

Santos observou que, apesar do recuo do varejo em julho, indicadores macroeconômicos usualmente associados ao consumo estavam, em geral, favoráveis, o que sugere uma defasagem entre condições financeiras e resposta das vendas.

“Se você parear os principais indicadores que, em princípio, podem explicar o resultado do comércio varejista ou têm influência no comércio varejista, a maioria deles entra na equação como fatores positivos”, afirmou.

ANALISTAS

Entre economistas, a leitura predominante é de perda de tração na margem no início do terceiro trimestre. O Itaú avaliou que a pesquisa de julho é consistente com um terceiro trimestre fraco e afirmou que seu indicador sugere alguma melhora em agosto, sem recuperação forte, em linha com uma desaceleração gradual.

No ASA, o economista Leonardo Costa disse que os dados reforçam a visão de atividade mais fraca na margem e seguem compatíveis com PIB praticamente estável no terceiro trimestre, mantendo projeção de alta de 0,2% na comparação trimestral com ajuste sazonal, com enfraquecimento mais claro em itens de consumo discricionário.

A Terra Investimentos também apontou surpresa negativa e desempenho mais fraco nos principais setores, observando queda da média móvel de três meses, e passou a esperar recuo de 0,3% do IBC-Br na margem após os dados.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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