O Rio de Janeiro recebe, de 10 a 12 de março de 2026, o 3º Simpósio BBNJ, evento científico internacional dedicado ao Alto-Mar, áreas oceânicas além da jurisdição de qualquer país. Realizado no Museu do Amanhã, o simpósio reúne pesquisadores, representantes de governos, organismos internacionais e sociedade civil para discutir a implementação do Tratado da ONU sobre a Conservação e Uso Sustentável da Diversidade Biológica Marinha em Áreas Além da Jurisdição Nacional, conhecido como Tratado do Alto-Mar.
O tratado entrou em vigor em janeiro de 2026, pouco antes do evento, e representa um marco após quase duas décadas de negociações multilaterais. Assinado por 86 países, o acordo visa regulamentar a proteção da biodiversidade em águas internacionais, que abrangem dois terços dos oceanos. Ele se estrutura em quatro eixos principais: capacitação e transferência de tecnologias marinhas; acesso e repartição justa de benefícios derivados de recursos genéticos marinhos; medidas de manejo baseadas em áreas, como marinhas protegidas; e avaliação de impacto ambiental.
Organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o simpósio enfatiza o papel da ciência na governança oceânica. A programação aborda temas como biodiversidade em alto-mar, mecanismos de fiscalização e cumprimento do acordo, financiamento da ciência, e a criação de um corpo técnico-científico internacional para assessorar decisões. Discussões também incluem conhecimentos de povos indígenas e comunidades tradicionais.
“Focamos em questões que ainda não foram detalhadas no texto do Tratado e que dependerão fortemente de evidências científicas para sua regulamentação”, afirma Andrei Polejack, diretor de Pesquisa e Inovação do INPO.
A Oceana, uma das organizações da sociedade civil que apoiam o evento, destaca os desafios de implementação. “O acordo estabelece regras que vão além das jurisdições de cada país. Com isso, pode trazer benefícios para a vida nos oceanos como um todo e até para os países não costeiros”, diz Ademilson Zamboni, diretor-geral da entidade. Ele ressalta que a amplitude do tratado exige esforço maior para soluções comuns de governança.
As edições anteriores do simpósio ocorreram na Escócia, em 2023, e em Singapura, em 2025. O evento no Rio é gratuito, com inscrições abertas e transmissão online. A expectativa é que, ainda em 2026, ocorra a primeira Conferência das Partes (COP) dedicada ao Acordo do BBNJ.