A Rússia anunciou, nesta terça-feira (10), restrições ao Telegram, uma medida que o fundador desse serviço de mensagens, Pavel Durov, considera uma tentativa de forçar os russos a usar outra plataforma local mais fácil de controlar.
“A lei russa continua sendo ignorada (…), nenhuma medida real está sendo tomada para combater a fraude e o uso de mensagens para fins criminosos e terroristas”, afirmou a Agência Russa de Supervisão de Telecomunicações (Roskomnadzor) em um comunicado, citada por agências de notícias locais.
Críticos e ativistas de direitos humanos afirmam que esta é uma tentativa do Kremlin de intensificar seu controle e vigilância da internet em meio a uma repressão mais ampla à dissidência no contexto da ofensiva na Ucrânia.
A Roskomnadzor alertou que “continuará introduzindo restrições graduais” ao Telegram, que, segundo a agência, não cumpriu a lei.
O Telegram é um dos dois serviços de mensagens mais populares na Rússia, junto com o WhatsApp, cujo funcionamento está bloqueado quase por completo no país desde janeiro pelas mesmas razões.
“Restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a solução correta. O Telegram defende a liberdade de expressão e a privacidade, independentemente das pressões”, denunciou Durov, que adquiriu a nacionalidade francesa.
O fundador acusa a Rússia de tentar “forçar seus cidadãos a migrar para um aplicativo controlado pelo Estado, concebido para vigilância e censura política”.
O Telegram é amplamente utilizado na Rússia, tanto como serviço de mensagens quanto como rede social, e quase todas as principais figuras públicas, incluindo agências do governo e o Kremlin, publicam mensagens regularmente na plataforma.
O governo tenta direcionar os usuários para um concorrente estatal chamado Max, que também pode processar pagamentos e serviços governamentais.
A Rússia já tentou proibir o Telegram anteriormente, mas fracassou em seus esforços de bloquear o acesso e suspendeu a proibição em 2020.
A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou a continuidade de uma “estratégia de estrangulamento da circulação da informação”. Lembra que a Rússia ocupa a 171ª posição entre 180 no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa.
A Anistia Internacional classificou a medida como um “novo golpe à liberdade de expressão”.
Fraudes por meio de aplicativos de mensagens são muito frequentes na Rússia. E as autoridades acusam a Ucrânia de recrutar russos por meio desses aplicativos para cometer atos de sabotagem em troca de dinheiro.
Várias contas de observadores militares russos no Telegram criticaram as restrições porque temem que levem a uma perda de influência da narrativa pró-Kremlin.