Só falta a Conmebol: como cada confederação continental se posicionou após plano da Fifa

O plano da Fifa de criar a empresa Fifa Forward Enterprise (FFE) e abrir espaço para a venda de participações comerciais de suas principais competições a investidores privados desencadeou uma onda de reações no futebol mundial. A proposta, que representa uma mudança significativa na gestão dos ativos comerciais da entidade, dividiu as seis confederações continentais e abriu um debate sobre governança, transparência e autonomia das federações nacionais.

A ideia da Fifa consiste em vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. Para isso, seria criado um grupo chamado Fifa Forward Enterprise (FFE), que consolidaria os eventos e operações. Porém, a governança do futebol permaneceria sobre o controle da entidade gerida por Infantino.

A reação mais contundente veio da Uefa. A entidade que comanda o futebol europeu rejeitou de forma unânime o projeto e anunciou que as associações do continente estão dispostas a boicotar todas as competições organizadas pela Fifa caso a proposta avance sem alterações e destacou que essa posição será mantida enquanto este projeto estiver em discussão.

“Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada”, diz a Uefa em comunicado.

Na Concacaf, que reúne as federações da América do Norte, Central e Caribe, o posicionamento também foi de forte oposição. Em comunicado, divulgado nesta quinta-feira, a entidade afirmou que “o futebol deve se manter nas mãos do futebol”. “A Concacaf é uma confederação unida pelo amor ao nosso esporte, onde o futebol vem em primeiro lugar”, disse a entidade em comunicado oficial. “Construímos uma organização fundamentada na prestação de serviços, na governança transparente e na gestão responsável do futebol a longo prazo”.

A decisão, no entanto, não foi de unanimidade, no caso da Concacaf. Isso porque a Federação Mexicana de Futebol também se manifestou e ficou de avaliar melhor a proposta da Fifa de criar uma empresa para gerenciar os direitos comerciais e operacionais de suas competições (incluindo a Copa do Mundo).

“A Federação Mexicana de Futebol foi notificada pela Fifa em 28 de julho de 2026 a respeito da proposta do presidente, Gianni Infantino, de aumentar a receita do programa FIFA Forward, principal veículo para promover o desenvolvimento positivo do futebol no mundo, com base em um novo modelo financeiro”, iniciou o comunicado.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) igualmente demonstrou insatisfação com a condução do processo e alinhou-se à Uefa e à Concacaf em seu rechaço ao processo da Fifa. “Tendo em conta a posição manifestada pela Uefa e Concacaf, além das divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC considera que a FFE (Fifa Forward Enterprise) proposta não pode, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para seguir em frente”, destacou esta confederação de 47 membros, 46 deles também membros da Fifa.

Na África, a CAF adotou uma postura mais cautelosa. Embora mantenha proximidade institucional com a atual gestão da Fifa, a confederação preferiu não assumir uma posição definitiva neste primeiro momento. Em vez disso, convocou reuniões de seu comitê executivo para avaliar detalhadamente os possíveis efeitos da criação da Fifa Forward Enterprise sobre o futebol africano.

Já a Confederação de Futebol da Oceania (OFC) optou por uma linha de neutralidade. A entidade não aderiu ao movimento liderado pela Uefa nem anunciou apoio explícito ao projeto da Fifa. Sua prioridade, neste momento, é consultar as federações filiadas antes de definir um posicionamento oficial sobre o tema

“A Confederação de Futebol da Oceania (OFC) observa que a Fifa iniciou um processo de consulta com suas Associações Membro e o Conselho da Fifa a respeito da proposta da iniciativa Fifa Forward Enterprise. A proposta será analisada pelo Comitê Executivo da OFC em sua próxima reunião, em agosto. A OFC convida suas Associações Membro a analisarem a proposta e a participarem do processo de consulta”, disse o comunicado da OFC

Entre as seis confederações continentais, apenas a Conmebol ainda não apresentou uma manifestação pública de rejeição ao plano. A entidade sul-americana segue acompanhando as discussões por meio dos canais institucionais da Fifa e, até o momento, evita adotar uma postura semelhante à de Europa, Concacaf e Ásia, mantendo uma estratégia baseada no diálogo interno.

A expectativa agora recai sobre a postura da Conmebol. O posicionamento da entidade sul-americana poderá ser determinante para medir o nível de apoio político à proposta da Fifa e influenciar os próximos passos de uma das mudanças mais relevantes na estrutura comercial do futebol internacional.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF

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