O pré-candidato ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), atribuiu a derrota que teve contra o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na eleição passada aos votos do interior do Estado e salientou que não há preconceito em receber apoios de partidos de centro e centro-direita.
“Não tenho nenhum preconceito contra apoio de partidos conservadores, respeitado o mandamento número um: em princípios e valores não se abre mão”, disse Haddad em conversa com jornalistas em São Paulo na manhã desta sexta (20). “Eu aceitei o apoio do PP em 2012, na candidatura a prefeito de São Paulo. Eu diria que foi decisivo para que eu ganhasse a eleição.”
O ex-ministro afirmou que não abriu mão de nenhum item do ponto de vista programático na campanha à Prefeitura de São Paulo de 2012, nem de princípios ou valores, e acrescentou que o PP chegou a colaborar com o programa, com sugestões incorporadas por não conflitarem com o plano geral. Segundo ele, as contribuições são bem-vindas e apoios seguem sendo aceitos, desde que respeitem as diretrizes do programa a ser elaborado para o Estado.
“Tenho muita fé de que essa coalizão de 2022 vai ser mantida. Então eu estou trabalhando com esse cenário, daí para mais. Se ficar nisso, é a mesma condição que eu tive em 2022, não vou reclamar”, continuou. “Se for possível ampliar, nós vamos tentar, mas desde que não tenha nenhum problema de programa de governo.”
Haddad ressaltou que, de modo geral, o campo progressista tem melhor desempenho nos grandes centros urbanos, o que, segundo ele, é um padrão observado globalmente. Como exemplo, citou Nova York, que elegeu o prefeito Zohran Mamdani, destacando que, em alguns Estados, a eleição de um perfil semelhante seria improvável.
Também mencionou o ex-prefeito Bill de Blasio e acrescentou que, mesmo quando lideranças de perfil mais liberal ou até conservador são eleitas, há uma tendência de adotarem práticas mais alinhadas ao campo progressista em função das demandas das grandes cidades.
“Então nós temos, efetivamente, mais dificuldade com o interior. Eu fiz 55% dos votos na região metropolitana e 35% no interior. Foi por isso que nós perdemos a eleição”, afirmou Haddad. “Continua o desafio de fazer um diálogo mais amplo com setores que são um pouco mais conservadores do que os da metrópole. E é um desafio que não é local, é um desafio mundial.”