SPE mantém previsão de 2,3% de crescimento para PIB em 2026 apesar de conflito no Oriente Médio

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda divulgou nesta sexta-feira (13/3) a grade de parâmetros macroeconômicos de março e estimativas preliminares de impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira. A expectativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026 foi mantida no mesmo patamar da grade de fevereiro.

A recente alta nos preços do petróleo impulsiona o crescimento brasileiro em cerca de 0,1 ponto porcentual, uma vez que o país é o quinto maior produtor de petróleo do mundo e grande exportador. Esse impacto positivo é contrabalançado pela redução do carry-over da indústria para 2026, após o resultado do PIB de 2025. Assim, a SPE equilibrou esses fatores para preservar a previsão de 2,3%.

“Mesmo diante do choque nos preços do petróleo, as perspectivas macroeconômicas para 2026 permanecem favoráveis”, afirmou o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, em entrevista coletiva virtual. Nos cenários simulados, a elevação nos preços afeta positivamente a atividade econômica, a balança comercial e a arrecadação, com inflação mais pronunciada apenas em um choque disruptivo, com preço médio acima de US$ 100 por barril de Brent.

Mello reforçou que o crescimento brasileiro segue resiliente, a inflação em queda e a meta para o resultado primário será atingida. Como exportador líquido de petróleo desde 2016, o Brasil registra superávit crescente na conta de petróleo e combustível, o que mitiga impactos negativos em comparação a importadores líquidos.

Países superavitários como o Brasil sofrem inflação com o petróleo mais caro, mas têm capacidade para mitigar esses efeitos, com ganhos em royalties, participações especiais e tributos. A SPE apresentou o Panorama Macroeconômico de março de 2026, com dados de conjuntura.

A subsecretária de Política Macroeconômica, Raquel Nadal, explicou que a principal alteração na grade incorpora o aumento do preço do petróleo para US$ 73,1 por barril (alta de 11% em relação a fevereiro). O câmbio foi atualizado para R$ 5,32 por dólar (apreciação de 2%). Para inflação, o IPCA é estimado em 3,7%, INPC em 3,8% e IGP-DI em 4,9%.

As contribuições setoriais para o PIB foram reajustadas: indústria de 2,2% (de 2,3%), agropecuária de 1,2% (de 0,5%) e serviços mantidos em 2,4%. Nadal destacou fatores positivos domésticos, como aumento na colheita de soja e isenção de IR para rendas até R$ 5 mil, contra pressões externas como alta nos fertilizantes, pois o Irã é grande exportador de ureia para o Brasil.

Mello detalhou cenários de impactos: no choque temporário (preço médio de US$ 73,1/barril), alta de 0,10% no PIB, 0,14 p.p. na inflação, US$ 2,5 bilhões na balança comercial, apreciação cambial de 1,1% e R$ 21,4 bilhões na receita do governo.

No choque persistente (US$ 82/barril), alta de 0,23 p.p. no PIB, 0,33 p.p. na inflação, US$ 5,1 bilhões na balança, apreciação de 2,3% e R$ 48,3 bilhões na receita.

No disruptivo (US$ 100/barril), alta de 0,36 p.p. no PIB, 0,58 p.p. na inflação, US$ 10,3 bilhões na balança, apreciação de 4,5% e R$ 96,6 bilhões na receita.

Os cenários não consideram as medidas anunciadas pelo governo na quinta-feira (12/3) para conter o preço do diesel, que reduzirão R$ 0,64 por litro a preço de refinaria, potencialmente mitigando a inflação. Mello alertou que cenários mais disruptivos poderiam levar a estagflação global, afetando o Brasil, embora não esteja imune a crises globais.

T CSM

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