Tarcísio diz que crime contra PM Gisele não ficará impune e vê feminicídio como ‘chaga nacional’

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta terça-feira (24) que “não vai deixar um crime desse impune” ao se referir à morte da policial Gisele Alves Santana, 32, que, segundo a acusação, foi assassinada pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O oficial está preso e nega ter matado a mulher, sustentando que ela teria cometido suicídio.

A primeira manifestação pública do governador ocorreu mais de um mês após a morte. Os registros criminais mostram que o estado enfrenta indicadores recordes de feminicídio. “Em todos os indicadores nós tivemos queda, exceto o feminicidio, e vamos perseguir a queda deste também”, declarou.

Para Tarcísio “essa chaga não é só do estado de São Paulo, ela é nacional, e nós estamos investindo em tecnologia para ter o melhor resultado possível”.

Nesse sentido, o governador citou medidas como o aplicativo Mulher Segura e afirmou que prevê criar um departamento na Polícia Civil a fim investigar exclusivamente delitos do gênero “para garantir que mulheres tenham assento no conselho da corporação”.

O tenente-coronel está preso por decisão da Justiça Militar tomada a pedido da Corregedoria da PM de São Paulo, que apontou indícios de que o oficial da Polícia Militar tem envolvimento na morte da esposa.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça na sala da casa em que o casal morava no Brás, região central de São Paulo, na manhã de 18 de fevereiro. O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas foi reclassificado como morte suspeita e depois como homicídio. Agora, é tratado como feminicídio.

O tenente-coronel foi quem chamou o resgate e a polícia no dia da ocorrência dizendo que a mulher havia atirado na própria cabeça.

O boletim de ocorrência elaborado no 8º DP (Brás) horas depois da morte, no entanto, já apontava que havia dúvidas sobre o que havia acontecido. O documento trouxe um aviso de que havia “dúvida razoável quanto a tratar-se de suicídio”.

A mudança na classificação do caso ocorreu a partir de laudos periciais da cena do crime e informações do relacionamento conturbado do casal para o pedido de prisão, segundo a polícia.

Um exame de corpo de delito pelo IML (Instituto Médico Legal) identificou lesões no pescoço e no rosto de Gisele, indício que contraria a tese de suicídio. Além disso, policiais colheram relatos de comportamentos abusivos e violentos por parte do oficial da PM.

A perícia confirmou que as marcas no pescoço foram feitas por uma segunda pessoa, mas que Gisele não chegou a ser asfixiada antes do tiro.

ESTADO TEVE MAIS DE 200 VÍTIMAS DE FEMINICÍDIO EM 2025

O estado de São Paulo registrou aumento de 8,1% nos registros de feminicídio em 2025, atingindo o maior número da série histórica para esse tipo de crime iniciada em 2018. Foram 266 casos de mulheres assassinadas em razão do gênero, contra 246 em 2024, segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Os dados completaram as estatísticas referentes ao ano passado. No último mês do ano, o estado registrou 36 casos, 12 a mais do que no mesmo mês de 2024.

A cidade de São Paulo também observou alta nesse tipo de crime. Ao longo de 2025, foram 60 casos, alta de 22,4% em relação aos 49 de 2024. Em dezembro passado, houve quatro registros, um a mais do que no mesmo mês do ano anterior.

Embora o crime tenha sido tipificado em 2015, por meio da lei federal 13.104, os registros só passaram a ser divulgados de forma unificada pela SSP em 2018. Desde 2023, o estado tem visto mais de 200 casos por ano, em uma tendência crescente.

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress