O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a USP possui dinheiro em caixa e cabe ao reitor Aluisio Segurado lidar com as demandas dos estudantes, as quais classificou como justas.
“As universidades [paulistas] hoje têm dinheiro em caixa? Tem. É justo que os alunos briguem por melhoria no programa de permanência? É justo, claro”, declarou o governador durante entrega de conjunto habitacional em Perus, na zona norte de São Paulo, na noite desta terça (26).
Ele ainda destacou que a paralisação dos estudantes, que já dura mais de cinco semanas, “é um assunto da reitoria” e que o estado faz sua parte garantindo previsibilidade orçamentária para a instituição.
“Quem tem autonomia para tomar as decisões em relação ao orçamento que tem é a universidade. A gente não se mete”, disse Tarcísio, enfatizando que a USP possui o maior programa de auxílio a estudantes do país, mas acrescentou que há margem para melhora.
“É justo melhoria no Crusp [Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo]? Justo. No bandejão? Claro que é justo”, disse ainda o candidato à reeleição, repetindo serem questões da reitoria.
Na última semana, centenas de alunos das universidades estaduais paulistas protestaram em passeata até o Palácio dos Bandeirantes, onde fica o governador. Uma comissão foi recebida por membros do Executivo e apresentou suas demandas por mais investimentos.
No início do mês, Tarcísio chegou a defender a ação da Polícia Militar para retirada de estudantes grevistas que ocupavam a reitoria na madrugada de 10 de abril. Na ocasião, os alunos relataram agressões e houve uso de bomba de gás.
“A polícia agiu como tinha que agir”, disse o governador. “A universidade é um espaço aberto, público, de debate. É um espaço de conhecimento, pesquisa, extensão, mas não pode ser um espaço de baderna, depredação e destruição do patrimônio público”, afirmou.
O financiamento de USP, Unicamp e Unesp é fixado por lei: 9,57% da cota de ICMS do estado.
A Universidade de São Paulo terá o maior orçamento de sua história em 2026. O Conselho Universitário aprovou, em sessão realizada no dia 16 de dezembro de 2025, um planejamento na ordem de R$ 9,41 bilhões para o ano. O valor representa um acréscimo de 2,87% em relação ao exercício anterior.
AS NEGOCIAÇÕES DA GREVE ESTÃO TRAVADAS
As negociações pela volta às aulas estão travadas. Nesta terça, a comissão criada pela reitoria para intermediar as demandas estudantis se desfez. Após dois encontros, os quatro mediadores resolverem encerrar as tratativas.
A Folha apurou que a decisão ocorreu após a gestão de Segurado travar o diálogo, mantendo as mesmas propostas apresentadas há semanas.
O principal impasse segue sendo o reajuste do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil). Atualmente, o auxílio integral é de R$ 885 mensais. Os estudantes reivindicam que o valor alcance o equivalente ao salário mínimo paulista, hoje em R$ 1.804. A universidade, por sua vez, propõe reajuste com base no IPC-Fipe, o que elevaria o benefício para R$ 912.
Na última reunião da comissão, na segunda, os estudantes tentaram apresentar uma proposta intermediária, sugerindo que o auxílio integral passasse a R$ 1.096. A universidade não aceitou.