Técnico acusado de matar pacientes diz que agiu para “aliviar sofrimento”, aponta polícia

Por Daniel Xavier e Camila A. Coimbra

O técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, é apontado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como o principal executor dos homicídios investigados na Operação Anúbis. De acordo com a apuração, ele confessou os crimes em depoimento prestado após ser confrontado com imagens de câmeras de segurança da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga.

Segundo as investigações, Marcos Vinícius injetou doses elevadas de medicamentos em pacientes internados, utilizando as substâncias de forma intencionalmente letal. Em um dos casos, o técnico foi além e aplicou desinfetante hospitalar diretamente na veia de uma das vítimas.

Em contato com o Jornal de Brasília, o delegado coordenador da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), Wisllei Salomão, e o delegado Maurício Iacozzilli, que também integra a investigação e participou diretamente dos interrogatórios, afirmaram que, por enquanto, não há novas atualizações sobre o caso. Segundo eles, após a divulgação oficial da operação, a PCDF passa agora para uma fase de aprofundamento das apurações e análise minuciosa das provas já reunidas.

Iacozzilli descreveu o comportamento dos investigados durante os depoimentos como marcado pela indiferença. “Nenhum arrependimento diante do interrogatório. Muita frieza dos três. Já teve audiência de custódia, mas como se trata de mandado de prisão, apenas avaliam a validade do mandado”, afirmou.

O delegado também detalhou como as imagens analisadas pela investigação revelaram a dinâmica dos crimes dentro da UTI. De acordo com ele, no caso da primeira vítima, a equipe médica conseguiu reverter a parada cardíaca por quatro vezes, mas o técnico voltou a aplicar a substância proibida repetidamente até conseguir provocar o óbito. “Na quinta vez, ele conseguiu. E todas as vezes ele tentava novamente com a aplicação dessa medicação. Na última, e ainda mais assustador, foi a aplicação de desinfetante diretamente na veia da vítima”, relatou.

Durante o interrogatório, Marcos Vinícius apresentou versões contraditórias para tentar justificar suas ações. Segundo Iacozzilli, inicialmente o técnico alegou que teria agido em um momento de descontrole emocional. “No primeiro momento, ele disse que teria feito isso porque o plantão estaria tumultuado, que estava muito nervoso e que perdeu a cabeça. Depois, falou que teria feito isso para aliviar o sofrimento das vítimas”, afirmou o delegado.

Além dele, duas técnicas de enfermagem também foram presas e são acusadas de participação nos crimes: Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos. De acordo com a polícia, elas teriam atuado dando cobertura ao principal suspeito durante as aplicações irregulares.

A PCDF detalhou a responsabilidade de cada um dos investigados em relação às três mortes já confirmadas. Pela morte de Miranilde Pereira da Silva, os três suspeitos – Marcos Vinícius, Amanda Rodrigues e Marcela Camilly – respondem por homicídio qualificado. Já pela morte de João Clemente Pereira, servidor público da Caesb, o técnico e uma das técnicas respondem por homicídio qualificado. No caso de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, o técnico e a outra técnica também respondem por homicídio qualificado.

As gravações obtidas pela polícia também evidenciam, segundo Iacozzilli, a participação ativa das duas técnicas de enfermagem presas. De acordo com o delegado, os vídeos mostram que elas acompanhavam o suspeito durante todo o procedimento e adotavam condutas para impedir que terceiros percebessem o que estava sendo feito. “Uma das técnicas está junto com ele quando pega o remédio, prepara as injeções e vai com ele até o quarto. A outra chega em momento posterior. Em certos momentos, elas parecem vigiar a porta para evitar que alguém entrasse. Em outra situação, uma delas se posiciona na frente do braço da vítima para impedir que terceiros vissem a aplicação. Depois, os três permanecem assistindo ao monitor até os sinais vitais diminuírem e zerarem”, descreveu.

Já o delegado Wisllei Salomão esclareceu um equívoco divulgado por parte da imprensa a respeito do número de possíveis vítimas. Ele explicou que a referência a “mais de 20” diz respeito à quantidade de laudos periciais em elaboração, e não ao total de mortes sob suspeita. “O perito falou que serão elaborados mais de 20 laudos de exame, mas isso não significa 20 vítimas. Cada caso pode gerar vários laudos. Por enquanto, permanecem apenas três vítimas confirmadas”, destacou.

Em relação à motivação dos crimes, Salomão afirmou que ainda não há uma conclusão definida. “A motivação ainda não está estabelecida. Nada pode ser descartado neste momento, mas é a investigação que vai comprovar o que de fato aconteceu”, declarou.

A PCDF segue analisando prontuários, registros digitais e imagens para verificar se há outras vítimas e se os suspeitos podem ter praticado crimes semelhantes em hospitais onde trabalharam anteriormente.

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress