Tesouro IPCA+ 2026 vence e devolve R$ 260 bi aos investidores; saiba onde reinvestir o dinheiro

Quase R$ 260 bilhões em títulos do Tesouro IPCA+ chegam ao vencimento neste sábado (15), devolvendo recursos a investidores.

Os dois papéis que vencem na data —o Tesouro IPCA+ 2026 e o Tesouro IPCA+ 2026 com juros semestrais— somam R$ 258,7 bilhões em pagamentos, segundo dados do Tesouro Nacional. Os recursos serão pagos aos investidores na segunda-feira (17).

Do total, R$ 247,4 bilhões correspondem ao Tesouro IPCA+ 2026 com juros semestrais, enquanto R$ 11,3 bilhões são referentes ao Tesouro IPCA+ 2026. Os valores incluem títulos que estão nas mãos de instituições financeiras, fundos de investimento, entidades de previdência e outros participantes do mercado, além daqueles detidos por pessoas físicas por meio do Tesouro Direto.

O volume é expressivo, mas não significa que todo o dinheiro será reinvestido em títulos públicos. Segundo Mauro Orefice, gestor da B. Side Investimentos, a maior parte dos recursos deve continuar na renda fixa, diante do nível ainda elevado dos juros.

Para ele, os títulos atrelados à inflação podem continuar atrativos para quem investe com horizonte de longo prazo, enquanto quem pretende usar o dinheiro nos próximos anos pode encontrar alternativas mais interessantes em aplicações atreladas ao CDI.

O Tesouro Nacional prevê um fluxo total de R$ 289,15 bilhões em pagamentos de títulos públicos atrelados à inflação em 15 de agosto, incluindo os R$ 258,7 bilhões referentes aos dois títulos do Tesouro IPCA+ que vencem na data. Esses papéis, conhecidos como NTN-Bs, têm a rentabilidade corrigida pela variação do IPCA e por uma taxa de juros definida no momento da compra.

A diferença, de cerca de R$ 30,4 bilhões, corresponde a pagamentos de outros títulos públicos atrelados à inflação que não vencem agora, mas têm parcelas mensais ou semestrais previstas para a mesma data.

É o caso de NTN-Bs com vencimentos posteriores e de um dos títulos do Tesouro Educa+, por exemplo.

Apesar do volume de recursos ser grande, Orefice não espera uma pressão compradora suficiente para provocar uma queda relevante nas taxas dos títulos públicos. Segundo ele, os leilões recentes têm mostrado demanda mais fraca, enquanto os investidores continuam exigindo taxas maiores para comprar papéis brasileiros, em um cenário de prêmio de risco elevado por causa das incertezas fiscais.

A partir de segunda-feira, quem receber os recursos terá de decidir se mantém a estratégia de investir em títulos atrelados à inflação ou se direciona o dinheiro para outras alternativas.

Para Orefice, a escolha depende do prazo e do nível de risco da carteira. No curto prazo, de dois a três anos, ele considera o CDI mais atrativo e afirma que não é o momento de aumentar a exposição a ativos de risco, diante da volatilidade esperada com as eleições. Já para quem tem horizonte de longo prazo, taxas reais de IPCA+ entre 7,5% e 8% ao ano podem ser interessantes.

A avaliação do Inter também aponta para uma vantagem histórica dos títulos atrelados à inflação em prazos mais longos.

Em relatório, Rafael Winalda, analista do banco, afirma que, entre 2016 e a primeira semana de agosto de 2026, o retorno acumulado dos dois títulos analisados foi de 255,9% para o IPCA+ sem juros semestrais e 234,3% para a versão com juros semestrais, acima dos 164,2% do CDI no período.

“É a combinação de proteção inflacionária com prêmio de juro real que faz esse tipo de título se destacar em horizontes longos”, diz Winalda. Segundo ele, a relação entre risco e retorno reforça a atratividade do IPCA+ para quem tem paciência para carregar o título até o vencimento.

O QUE FAZER ANTES DE REINVESTIR?

Adrian Carvalho, CEO da Quartavia, afirma que o primeiro passo é definir qual será a função do dinheiro: reserva de emergência, investimento de longo prazo ou construção de patrimônio. Segundo ele, reinvestir automaticamente todo o valor no mesmo produto que venceu pode não ser a melhor estratégia, mesmo quando as taxas continuam atrativas.

Carvalho recomenda diversificar entre aplicações com funções diferentes, como títulos IPCA+ para proteção contra a inflação, investimentos pós-fixados para liquidez e produtos isentos, como LCI e LCA.

Para quem tem horizonte mais curto ou prioriza liquidez, Rafael Winalda, do Inter, diz que o Tesouro Selic segue como uma opção sólida.

Já para quem tem objetivos de longo prazo, títulos IPCA+ com vencimentos como 2032, 2040 e 2050 oferecem a possibilidade de travar uma taxa de juro real por vários anos, o que pode ser interessante para objetivos como aposentadoria ou educação dos filhos.

Carvalho adiciona que o investidor deve evitar três erros: escolher apenas pela maior taxa nominal sem considerar o risco de crédito; comparar investimentos pelo rendimento bruto sem levar em conta os impostos; e tomar decisões de consumo junto com o reinvestimento, como troca de carro ou reformas.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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