DINÂMICA DO CRIME
Simulação de tiros e apagão em câmeras reforçam suspeita de que o crime ocorreu dentro do condomínio
Imagens de câmeras com apagão de oito minutos são um dos pontos centrais da investigação (Foto: Jucimar de Souza)
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A investigação sobre a morte da corretora Daiane Alves Sousa, 43 anos, avançou com a realização de uma simulação no condomínio onde ela desapareceu para testar a hipótese de que a vítima possa ter sido morta a tiros no subsolo do prédio. Na sexta-feira (31), a Polícia Civil realizou testes sonoros e de trajetória de disparos para confrontar a versão do síndico Cléber Rosa de Oliveira, mas o delegado André Barbosa destacou que a confirmação da causa da morte depende do laudo pericial da ossada encontrada, que ainda não ficou pronto.
Os investigadores também analisam um intervalo de cerca de oito minutos sem gravação nas câmeras de segurança, considerado um dos pontos mais críticos do caso. A suspeita é de que o sistema de monitoramento tenha sido interferido justamente no momento em que Daiane pode ter sido abordada dentro do prédio.
A polícia trabalha para reconstruir os últimos passos da corretora por meio de registros de acesso, imagens de áreas comuns e dados dos elevadores. Os indícios indicam que ela não deixou o condomínio sozinha, reforçando a hipótese de que o crime ocorreu no interior do edifício.
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42 dias do desaparecimento às prisões
Na quarta-feira (28), a Polícia Civil prendeu, durante a madrugada, o síndico Cléber Rosa de Oliveira e o filho dele, Maicon Douglas, no âmbito da investigação por homicídio. Um porteiro do prédio também foi levado para prestar esclarecimentos. Pai e filho passaram por audiência de custódia na quinta-feira (31), quando a Justiça decidiu manter as prisões. Somente após a decisão judicial, os dois prestaram depoimento. Cléber afirmou que teria agido sozinho, porém a Polícia Civil sustenta que Maicon tentou atrapalhar as investigações e colaborou para a destruição de provas.
Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro, após descer até o subsolo para tentar restabelecer a energia do próprio apartamento, que, segundo a investigação, teria sido desligada pelo síndico para forçá-la a ir até a garagem. A polícia aponta que a vítima e Cléber já tinham um histórico de conflitos, perseguição e episódios de violência. Antes de descer, Daiane gravou vídeos mostrando o imóvel sem energia e enviou as imagens a uma amiga. No dia seguinte, a mãe da corretora, Nilze Alves, não a encontrou no apartamento, dando início às buscas.
A ossada da vítima foi localizada 42 dias depois, em uma área de mata às margens da GO-213, entre Caldas Novas e Ipameri, a cerca de 15 quilômetros de onde Daiane morava, e identificada por exame de DNA. Agora, a perícia trabalha para determinar se houve disparos de arma de fogo, como o crime foi cometido e confirmar a dinâmica do assassinato.
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