Trump lança seu Conselho de Paz no Fórum de Davos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inaugurou nesta quinta-feira (22), no Fórum de Davos, o seu “Conselho de Paz”, na presença de cerca de vinte líderes, projetando-se como um pacificador global, apesar do ceticismo generalizado que desperta o plano com o qual busca reescrever a ordem mundial.

Washington apresentou seus planos para uma “nova Gaza” que, em três anos, poderia tornar o território palestino devastado em um luxuoso complexo de arranha-céus à beira-mar.

“Olhe este local à beira-mar. Olhe esta bela propriedade. O que isso poderia significar para tanta gente”, afirmou Trump durante o Fórum Econômico Mundial de Davos.

O mandatário americano também se reuniu com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky.

“A guerra deve terminar”, disse Trump aos jornalistas que lhe perguntaram que mensagem queria transmitir ao seu homólogo russo, Vladimir Putin.

O chefe de Estado ucraniano anunciou que os documentos do acordo para deter as hostilidades “estão quase, quase prontos”, às vésperas do quarto ano do conflito com a Rússia, desencadeado por uma ofensiva de Moscou em larga escala contra o território ucraniano.

– Caleidoscópio “fragmentado” –

Zelensky reconheceu que o apoio de Trump é “indispensável”, sobretudo porque, segundo ele, a Europa está “fragmentada” e parece “perdida” em suas relações com o presidente americano.

“Em vez de se tornar uma verdadeira potência global, a Europa permanece um belo, porém fragmentado, caleidoscópio de pequenas e médias potências”, disse ele.

“A Europa parece perdida tentando convencer o presidente dos Estados Unidos a mudar”, acrescentou, sugerindo que haverá uma reunião trilateral entre Ucrânia, Rússia e EUA esta semana.

O enviado especial americano, Steve Witkoff, viaja nesta quinta-feira à Rússia junto com o genro de Trump, Jared Kushner, para reunir-se com Putin.

Após um discurso no qual analisou as situações em Gaza, Irã, Ucrânia e Venezuela, entre outros pontos críticos globais, o mandatário republicano assinou o documento que cria o Conselho de Paz, juntamente com líderes ou chanceleres de 19 países, incluindo os presidentes de Argentina, Javier Milei, e Paraguai, Santiago Peña.

Uma participação permanente no órgão custará US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões). E Trump convidou muitos outros líderes a participar, como Putin, Zelensky, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o papa Leão XIV.

O Conselho, que segundo o magnata trabalhará “em colaboração” com as Nações Unidas, busca reforçar sua imagem de pacificador, um dia depois de retirar suas ameaças contra a Groenlândia, um território autônomo dinamarquês que considera crucial para a segurança dos Estados Unidos.

– “Ótima relação” com Delcy Rodríguez –

A criação do Conselho responde à frustração do presidente americano de não ter vencido o Prêmio Nobel da Paz, apesar de afirmar que encerrou oito conflitos.

A premiação foi atribuída à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que recentemente entregou sua medalha a Trump.

Em seu discurso, o mandatário americano reiterou que mantém uma “ótima relação” com o governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e declarou que o ataque de 3 de janeiro, no qual as forças americanas capturaram Nicolás Maduro em Caracas sob acusações de tráfico de drogas, foi “assombroso”.

Embora inicialmente o organismo tenha sido criado para supervisionar a reconstrução de Gaza após a guerra entre Hamas e Israel, seus estatutos não limitam sua função ao território palestino e geraram temores de que Trump queira que rivalize com a ONU.

– Mudança de postura sobre Groenlândia –

O primeiro dia de Trump em Davos, na quarta-feira, foi marcado por sua mudança de postura em relação à Groenlândia, quando anunciou que não estabelecerá tarifas à Europa e descartou uma ação militar para tomar da Dinamarca esta ilha ártica rica em minerais.

O mandatário explicou a mudança de posição após alcançar uma “estrutura de um futuro acordo” depois de se reunir com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

Os diálogos prosseguirão para “garantir que os chineses e os russos não tenham acesso à economia da Groenlândia”, ou de um ponto de vista militar, afirmou Rutte nesta quinta-feira.

Sete países da Otan (Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega, Islândia, Canadá e Estados Unidos) afirmaram que deverão “assegurar coletivamente que o Ártico se mantém seguro e que os russos e os chineses ficam fora da zona”.

T CSM

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